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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Voltei à Guiné-Bissau

11.05.20 | asal

Abílio1.jpgLembrando o passado

Estive na Guiné de 1971 a 1973, então com 22 anitos, era conhecido pelo "Capitão Puto", o mais novo do exército português na altura.

A primeira parte da minha comissão desenrolou-se em GUILEGE, fronteira sul com a Guiné Conakri. Éramos conhecidos como toupeiras, pois vivíamos em abrigos subterrâneos à prova de morteiro. No primeiro ano, tivemos 30 ataques ao aquartelamento com armas pesadas. Além da minha companhia tínhamos também um pelotão de artilharia com 3 obuses 11,4, que utilizavam granadas de 25 Kg e tinham alcance de 25 Km e toda a população vivia dentro do arame farpado do quartel, cerca de 700 pessoas.

A companhia que substituiu a minha teve que abandonar o aquartelamento com toda a população, levando apenas os mortos e as armas ligeiras, deixando tudo o resto no quartel. O Major que ordenou o abandono do aquartelamento esteve um ano preso até ao 25 Abril 74.

Tendo conhecimento do Simpósio, em 2008, à minha custa voltei a Guilege, onde esteve também o comandante Coutinho e Lima, que ordenou a fuga do quartel e que foi homenageado pela população guineense.

O quartel já estava praticamente destruído, mas nesta visita foi também inaugurado um museu em Guilege, no qual deixei todo o meu espólio de capitão miliciano. Em Bissau, no tal Simpósio, estiveram reunidos combatentes Portugueses, Guineenses, Caboverdianos, Cubanos, Russos, etc, que estiveram envolvidos nesta guerra.

No google pesquisando Abílio Delgado, pode ouvir-se o discurso que então proferi.

Coisas da guerra. Abraço.

Abilio Delgado 

NOTA: Segue um vídeo com a reportagem deste Simpósio na Guiné-Bissau, da autoria de Carlos Silva. Obrigado. AH