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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

VÊ LÁ BEM, COMPANHEIRO!

21.04.21 | asal

Olá, caro Henriques! Aí te envio o texto a que me refiro no comentário do blogue para tu avaliares se vale a pena publicá-lo ou não. Um abraço! Gil

NOTA: Como vês, João Lopes, depressa foste atendido! Aqui tens um texto do Gil. Podes fazer análise literária, sociológica, pedagógica ou podes medir a intensidade de cada palavra, em que os conceitos se reduzem ao essencial. AH

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VÊ LÁ BEM, COMPANHEIRO, VÊ LÁ!...

Há dias, no velório do senhor padre Armando, depois do terço presidido pelo senhor padre Ilídio, naquele período de reflexão testemunhal orientado pelo senhor padre Virgílio, bastava ter sido solicitado também para testemunhar e ter-me-ia levantado do banco, como que impulsionado por uma mola, para anuir, tal era a emoção vívida daquela despedida. Agora, que a oportunidade surge para, como antigo colega, recordar o percurso profissional comum na escola Pedro da Fonseca, herdeira da pioneira C+S, não poderia, com menos excitação, mas igual emoção, deixar de escrever o que então teria dito.

                Vê lá bem, companheiro, quão impulsivo foste naquela reunião do conselho pedagógico, na década de oitenta, quando sugeriste como condição “sine qua non” da cedência do ginásio para o baile de finalistas que eles organizassem previamente uma récita! Por muito visionário que fosses prevendo uma sequência profícua de bons e educativos espetáculos dramático-revisteiros, que anualmente mobilizavam toda a comunidade escolar, num ambiente inesquecível de sã convivência interclassista, precisavas de ser tão veemente na afirmação das tuas convicções? Mas tu eras assim, cavaleiro andante da demanda do Santo Graal, sempre frontal e assertivo na defesa da “tua dama”, e conservaste esse espírito até ao fim, mesmo se, ultimamente, já admitisses ter sido um tanto excessivo nessas alturas.

                Marcaste efetivamente a vida escolar do nosso meio, porque nunca foste de meias, eras do tudo, e soubeste aproveitar como ninguém a oportunidade que a lecionação de uma disciplina qualitativa e quantitativamente abrangente te proporcionava, para deixares a tua marca indelével em quase todos os jovens estudantes de várias gerações. Foste o conselheiro experiente e disponível de várias levas de jovens professores em início de carreira, desbravando caminhos para a descodificação de carateres, nos conselhos de turma de início do ano letivo, tarefa facilitadora de adequações pedagógicas, tu, que conhecias o meio como as tuas mãos.

                Com que orgulho compromissivo recordo a iniciativa conjunta com o professor António Manuel, com que dinamizámos as tertúlias de professores, que se repetiram por longos anos e que só abandonaste quando deixaram de preencher as tuas exigências culturalmente convivenciais! Com que interesse participativo aderi às tuas organizadíssimas viagens turístico-culturais! Com que enlevo bebi as tuas prédicas dominicais e com que empatia aderiste, já em supremo esforço físico, às nossas solicitações sacramentais!

                Tão devedores nos sentimos das tuas dádivas e já tão carentes dos teus dons, eu e o Tó Manel, que alongamos a nossa tristeza, por não te termos visitado ainda mais uma vez, como derradeira despedida…

                Se lá do Assento Etéreo a que subiste e que cremos Coroa de Glória que conquistaste, memória desta vida se consente, vê lá bem, companheiro, vê lá se interpretas tão claramente como sempre fizeste com a amizade que nos uniu aqui e que nunca necessitou de afirmação expressa para ser vivida, a nostalgia silenciosa da ausência.

                                  Gil e Tó Manel

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