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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Uma Igreja renovada

24.02.19 | asal

Copio do "Diário de Notícias" as oito diretrizes enunciadas pelo Papa Francisco no final deste Encontro sobre a Proteção dos Menores e Adultos Vulneráveis na Igreja, que decorreu no Vaticano neste fim de semana. AH

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Para o futuro, a Igreja deve concentrar-se numa atuação que privilegie oito prioridades, determinadas a partir do guia de "Boas práticas" já formulado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

 

1ª: "O objetivo primário das várias medidas é proteger os pequeninos e impedir que caiam vítimas de qualquer abuso psicológico e físico". Ou seja, "É necessário mudar a mentalidade combatendo a atitude defensivo-reativa de salvaguardar a Instituição em benefício duma busca sincera e decidida do bem da comunidade, dando prioridade às vítimas de abusos em todos os sentidos".

 

2ª. Não hesitar em reportar às autoridades judiciais civis os casos de abusos. Recordando o que disse à Cúria Romana num discurso em dezembro de 2018, Francisco exigiu "seriedade impecável": "A Igreja não poupará esforços fazendo tudo o que for necessário para entregar à justiça toda a pessoa que tenha cometido tais delitos. A Igreja não procurará jamais dissimular ou subestimar qualquer um destes casos".

 

 "Uma verdadeira purificação". Porque "apesar das medidas tomadas e os progressos realizados em matéria de prevenção dos abusos, é necessário impor um renovado e perene empenho na santidade dos pastores". E "acusar-se a si próprio é um início sapiencial, associado ao temor santo de Deus", ou seja, "aprender a acusar-se a si próprio, como pessoa, como instituição, como sociedade". "Não devemos cair na armadilha de acusar os outros, que é um passo rumo ao álibi que nos separa da realidade."

 

4ª O Papa Francisco enfatizou também, fortemente, de se reforçarem "as exigências da seleção e formação dos candidatos ao sacerdócio". E isto "com critérios não só negativos, visando principalmente excluir as personalidades problemáticas, mas também positivos oferecendo um caminho de formação equilibrado para os candidatos idóneos, tendente à santidade e englobando a virtude da castidade". Citando João Paulo II, afirmou: "Não se deve pretender que a graça supra o que falta à natureza".

 

 Diretivas imperativas às conferências episcopais. Francisco sentiu necessidade de dizer às hierarquias católicas de cada país que é necessário que se sigam "parâmetros" de prevenção e combate aos abusos de menores na Igreja - devendo estes ter "valor de normas e não apenas de diretrizes". Porque "nenhum abuso deve jamais ser encoberto (como era habitual no passado) e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo", é "preciso desenvolver um novo enquadramento eficaz de prevenção em toda as instituições e ambientes das atividades eclesiais".

 

 "Acompanhar as pessoas abusadas". Segundo o chefe da Igreja, "a Igreja tem o dever de oferecer [às vítimas] todo o apoio necessário, valendo-se dos especialistas neste campo" porque "o mal que viveram deixa nelas feridas indeléveis que se manifestam também em rancores e tendências à autodestruição". Dito de outra forma: "A escuta cura a pessoa ferida, e cura-nos a nós também do egoísmo, da distância, do «não me diz respeito», da atitude do sacerdote e do levita na parábola do Bom Samaritano."

 

7ª Controlo do mundo digital. Francisco dedicou a este objetivo mais tempo do que aos outros. Disse, por exemplo, que "os seminaristas, os sacerdotes, os religiosos, as religiosas, os agentes pastorais e todos os fiéis devem estar cientes de que o mundo digital e o uso dos seus instrumentos com frequência incidem mais profundamente do que se pensa". Nesse contexto, apelas às autoridades dos países para "aplicarem todas as medidas necessárias para limitar os websites que ameaçam a dignidade do homem, da mulher e, em particular, dos menores". Porque - justifica - "é absolutamente necessário opor-se com a máxima decisão a tais abomínios, vigiar e lutar para que o desenvolvimento dos pequeninos não seja perturbado nem abalado por um acesso descontrolado à pornografia". Dentro do clero, é preciso agravar o delito canónico "da aquisição, a detenção ou a divulgação", realizada por um membro do clero «de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas tendo por objeto menores", nomeadamente "ampliando" a idade dos menores referidos no artigo (14 anos). "Devemos esforçar-nos por que as jovens e os jovens, particularmente os seminaristas e o clero, não se tornem escravos de dependências baseadas na exploração e no abuso criminoso dos inocentes e suas imagens e no desprezo da dignidade da mulher e da pessoa humana."

 

 Turismo sexual. Dizendo que os "discípulos e servidores de Jesus" devem observar um "respeito radical pela dignidade do outro", o Papa diz às "comunidades eclesiais" que estas devem "reforçar o cuidado pastoral das pessoas exploradas pelo turismo sexual" - sendo que, "entre estas, as mais vulneráveis e necessitadas de ajuda particular são certamente mulheres, menores e crianças". "É importante coordenar os esforços a todos os níveis da sociedade e colaborar estreitamente também com as organizações internacionais para realizar um quadro jurídico que proteja as crianças da exploração sexual no turismo e permita perseguir legalmente os criminosos", disse.

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