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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Uma história de seringas

12.01.22 | asal

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Esta é uma história triste, dolorosa e traumatizante. Só quem não tiver coração e uma embalagem de kleenex à mão é que não chora.
Quando vejo as criancinhas a serem vacinadas contra o covid19, vem-me à memória a primeira vez que também levei uma injecção.
Uma inflamação das anginas levou-me numa viagem de burro, até Salvaterra do Extremo, ao médico da freguesia. Depois de observado e receitado, regressei novamente e devidamente acomodado, em cima da besta, com a minha irmã mais velha que me acompanhou, já que eu teria apenas seis ou sete anos.
A única pessoa que havia na terra capaz de dar as injecções que o médico me receitou era o dono da Tasca, o ti Fernando. Eu já o tinha visto uma vez a desinfectar as enormes seringas e agulhas e portanto, quando soube e me vieram chamar para levar a injecção, eu desapareci.
Só ao fim de, mais ou menos, duas horas é que alguém me encontrou, atrás de um monte de lenha e me levaram à força, enquanto eu chorava e esperneava. A coisa não estava a ser fácil porque eu não sossegava, mas alguém teve a brilhante ideia de chamar uma psicóloga como fazem actualmente.
A psicóloga chamava-se Vara Maria de Marmeleiro. Duas vergastadas nas minhas pequenas nádegas foram o suficiente para me acalmar e ser então vacinado. No dia seguinte,quando vejo vir, ao fundo da rua, o ti Fernando com a caixa das seringas e das agulhas para me dar a segunda dose,
corri para casa, deitei as calças abaixo, pus-me de barriga para baixo em cima da cama e esperei calmamente por ele.
Desta vez, não foi necessário chamar a "psicóloga" para me acalmar!!!
António Rodrigues