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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Pensamentos soltos

16.07.20 | asal
Meu Caro Henriques
 Vai abrir- se um longo tempo que antigamente era de férias, e hoje nos faz olhar para as coisas com o sentimento de que urge aproveitar a imensidão das águas, o verde da floresta que ainda resta, provar o robalo dourado e a pinga alentejana, e tudo como se fosse a última vez.  Pensava nisto  e veio-me à cabeça um livro lindo e cheio de sabedoria do Card. Martini. Aqui faço também um desafio ao Eusébio que muito sabe da América e pouco nos diz. Ora, hoje só se fala  do país do tio Sam, do velhaco do Tom e de George Floyd, e da origem da escravidão  que causou a guerra civil de 1861-1865.  Enfim, somos todos americanos, apesar do "Trumpeta" como lhe chama o meu neto de 10 anitos. Um abraço e muita saúde ao feliz casal.
João

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Fragmentos

Estava eu encantado com o romance de Jack Kerouac Pela Estrada Fora, que nos leva de New Jersey a Los Angeles, de Leste a Oeste deste imenso país de perto de 9 milhões e 400 mil km (mas sobre isto gostaria tanto que o P. Eusébio nos falasse aqui neste blogue, ele que lá viveu muitos anos!) quando me lembrei que podia transmitir alguns pensamentos do Cardeal Martini, expressos no seu livro Colóquios em Jerusalém sobre o risco de acreditar.

 À pergunta do P. Georg, um jesuíta austríaco que se dedica à pastoral social,- Também existem momentos em que discute com Deus?  Responde o cardeal emérito: Nas coisas quotidianas tive poucas dificuldades, mas tive-as numa questão importante. Primeiro não conseguia perceber porque Deus deixou sofrer o seu Filho na cruz.  Mesmo como Bispo, por vezes, não conseguia olhar para o crucifixo, porque esta questão me atormentava. Sobre isto discuti com Deus. A morte continua a existir, os homens têm que morrer. ( …) nesta minha luta, ajudou-me um pensamento teológico: sem a morte não estaríamos em condições de nos entregar totalmente a Deus. (…) Espero na minha morte dizer o meu SIM a Deus.

Card. Martini.png

 Um teólogo e Bispo não tem também problemas de Fé?  - Dificuldades são os medos, a pouca confiança em Deus. Quando Ele me deu tarefas que pensei não ser capaz de realizar, tal como ser Bispo, (…) falar com terroristas, manter unida a Igreja europeia ou responder a questões do Papa. (…) Naturalmente, é preciso muita confiança em Deus, mas isso começa muitas vezes com perguntas, com dúvidas.  (…) Gostaria de perguntar a Deus se Ele me ama, apesar de eu ser tão fraco e de ter cometido tantos erros. (…) 

 E sobre a origem do mal no mundo: “ Quando olho para o mal no mundo, prende-se-me a respiração. Compreendo as pessoas que chegam à conclusão de que Deus não existe. (..) Ao mal pertencem as circunstâncias que levam a que existam crianças da rua, pessoas sem abrigo, ou pessoas com necessidade de asilo, que parece não terem lugar no mundo. (…) mas o mal desperta muitas forças boas. Os jovens acordam e dizem: aqui quero ajudar.   O mal pode provocar o melhor das pessoas. ( …)  A questão sobre a origem do mal não pode ser respondida por ninguém… Deus concedeu a liberdade ao homem. Ele não deseja robôs nem escravos, mas parceiros.” Segundo ele, vários são os passos a dar para fazer caminho com Deus:  exercitar o espírito através da meditação, orações, retiros, conversas, empenho social. E sobretudo aprender a conhecer Cristo, na leitura frequente e informada da Bíblia, lida como um todo, em que os textos tecem relações internas entre si. Captar isso, é aproximarmo-nos da Revelação do coração do Pai.  “A base da educação cristã é para mim a Bíblia. (…) Se não pensarmos com mentalidade bíblica, ficamos limitados e adquirimos antolhos em vez de ter os horizontes alargados de Deus. Quem lê a Bíblia e escuta Jesus, descobre como Jesus se admira com a fé dos pagãos. Não apresenta o sacerdote como exemplo, mas o herege, o samaritano. (…) Toda a Bíblia mostra que Deus ama os estrangeiros, auxilia os fracos. Quer que ajudemos e sirvamos todos os homens.  (…) Deus ensina-nos a olhar para os pobres, os oprimidos, os doentes, …  Enfim, ajuda-nos a pensar com largueza.”

( João Lopes)

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