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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Um simples passeio

25.09.19 | asal

Do passado ao presente

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Esta tarde deu para percorrer espaços novos da minha terra, que um amigo não conhecia. E este é daqueles amigos com quem se tem muito em comum e que permitem uma conversa mais íntima a falar de coisas que não servem de conversa com muita gente. 

Comecei por lhe oferecer o livro do Alves Jana "O meu seminário", referindo o contexto histórico e a proximidade que eu sinto com a época nele descrita. O amigo também foi aluno do seminário noutra diocese e decerto vai comparar estilos de vida, até para encontrar diferenças, algumas bem significativas. Mas foi assim que cada um de nós foi crescendo.

A conversa deu para eu próprio salientar a abertura à novidade que vivi no seminário e que me moldou ao longo da vida. Falei do órgão que aprendi a tocar no terceiro ano (com a ajuda dos colegas que sabiam mais) e na minha terra até já parecia um artista a animar as missas de domingo (!); falei do rabecão que o P. Horácio me colocou nas mãos no sexto ano, criando logo ali um grupo instrumental que animava as festas. Ainda em Alcains, de volta de uma revista manuscrita de capa dura, lá íamos desenvolvendo qualidades de escrita e pintura que nos davam jeito. No quarto ano, um professor olhou para um soneto que acabara de escrever e enviou-o para o jornal "Distrito de Portalegre". Quando vi o meu nome e o meu trabalho no jornal, senti-me nas nuvens, todo ancho... Assim fui perdendo a timidez e ganhando forças para me abrir à novidade.

Mais tarde, foram as semanas missionárias no Porto e as semanas de estudos cinematográficos em Fátima, durante as férias grandes, que mais me motivaram para alargar conhecimentos, que íamos aplicando na visão e crítica de filmes, escrevendo para um jornal de Castelo de Vide, onde tínhamos uma página literária mensal.

Curiosamente, já velho na escola, fui um dos que aceitou avançar para o mundo novo da Internet com o projeto Minerva. Vejam bem como são as coisas: sem esse passo, hoje eu seria igual aos meus colegas que não querem nada com os computadores, num analfabetismo moderno que nos priva de muita informação. E a informação é a base do crescimento...

Assim íamos falando enquanto percorríamos as ruas novas do Seixal, com piso alegre e zona pedonal muito atraente. Percorremos ainda a zona da Quinta da Trindade, onde o Benfica se estabeleceu em instalações com uns sete campos de futebol e zona residencial para os desportistas, tendo ao lado uma grande zona de prédios novos, que continua a alargar-se... Ainda no Seixal, ali junto ao rio, parámos a olhar para o Barreiro, para Almada e para Lisboa, em minutos sem relógio que nos enchiam de satisfação. 

Para terminar, avançámos para o Parque Urbano do Seixal, ao lado da Mundet (antiga fábrica de cortiça), estacionámos junto ao Lidl e começámos uma caminhada sem fim, junto aos dois campos de futebol do Seixal, num projeto inaugurado este ano, com muitas árvores, bancos para descanso, circuitos pedonais, onde o silêncio nos enche de paz e a respiração nos acalma toda a trepidação interior. E lá no fim do percurso, por detrás do casario do Seixal, surgiu-nos este espetáculo que o panorama do Google fotos enriqueceu. Os olhos ficam cheiinhos de luz.   A. Henriques

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