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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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Um longo ano eleitoral

Meu caro e sofrido  Henriques
Com a aproximação do período eleitoral, achei oportuno fazer algumas, ainda que breves reflexões, sobre este tão importante acontecimento nacional. Os programas dos partidos, quase diariamente, como é notório, são lançados aos quatro ventos, para aqueles que ainda acreditam nas sempre boas intenções-promessas partidárias. O que deveria ser um momento alto na nossa democracia, com a abstenção habitual em alta, acaba por ser uma demonstração de que, para esse peditório, o povo já deu. A descrença galopante na abstenção deveria levar-nos a pensar neste tão negativo comportamento.  Gostei da entrevista do teu filho. Bravo!!!
Que a tua perna  te vá libertando para novos voos.
Cordialmente,
Florentino Beirão
- R: Obrigado, amigo, isto vai mas devagar! AH

Florentino2.jpg

 

As mil faces da democracia

 

O corrente ano, como sabemos, tem sido pontuado por sucessivos atos eleitorais. Terminadas as eleições para o Parlamento Europeu, logo se iniciou a preparação para as legislativas, que terão lugar, no próximo dia seis de outubro. Razão pela qual, nestes próximos meses, todos os partidos concorrentes a estas eleições, já se encontrarem a redigir e a publicitar os seus programas eleitorais e a formar as suas complexas listas de candidatos. Quem sai e quem entra no Parlamento, vai tornar-se a questão central. Invejas e azedumes não faltarão. Alguns até já bateram com a porta, não se mostrando disponíveis para continuar. Outros, em bicos de pés, tudo farão para continuar a ocupar um lugar no hemiciclo, mesmo que surdos e calados, ao longo do mandato. Outros ainda, escolhidos para preencher a primeira fila, ditarão o sentido do voto da sua bancada.

Oxalá que todos eles não virem as costas aos seus eleitores, mas lutem pelos interesses dos que neles vão confiar o seu voto. É o eterno problema da escolha dos deputados mais capazes para defender os interesses das suas regiões que devem ser colocados acima dos seus projetos pessoais. Para tal, todos deviam conhecer mais de perto os problemas e anseios das suas gentes. O que muitas vezes tem acontecido é o núcleo central dos partidos avançar com candidatos para uma região da qual pouco ou nada conhecem. É a tal reforma eleitoral necessária, desde há muito badalada, mas que tarda a ver a luz do dia.

Na verdade, aperfeiçoar a nossa democracia torna-se hoje uma urgente tarefa. Aproximar eleitores e eleitos, nunca será tarefa acabada. Se o Parlamento já tem uma imagem tão negativa junto dos cidadãos, será altura de, avisadamente, se tomarem as melhores decisões, para dignificar o órgão que a todos nos representa.

Sabemos que, durante largos meses, esta campanha eleitoral irá inundar os espaços públicos e privados, com longas arengas políticas, para tentar levar às urnas o maior número de cidadãos. Apesar da altura do ano não ser a melhor, “viva as férias”, será importante acompanharmos as diversas propostas que nos irão ser oferecidas pelos diversos partidos.

Importa pois aproveitar este período eleitoral para revigoramos a nossa democracia, tantas vezes abalada pela corrupção, pelos oportunistas e pelos aldravões que não olham a meios, para atingir os fins.

Se, por um lado, o regime democrático é melhor do que qualquer outro, por outro, a liberdade que a democracia nos oferece pode também ser aproveitada por malfeitores, corruptos e mentirosos. A democracia como tal, não implica automaticamente cidadãos honrados e honestos. Por isso, ela não pode ser acusada das cacetadas que lhe infligem, como os compadrios familiares e com o constante tráfico de influências.

Não sendo um regime de pessoas imaculadas, nela se incluem os demagogos que tudo prometem, sem qualquer espécie de escrúpulos.

Preparemo-nos pois para assistirmos a mais uns meses de puro eleitoralismo onde não faltarão as habituais visitas às feiras, às festanças populares, aos lares de idosos, às enfadonhas entrevistas, às deslocações à borla e às inúmeras festas-convívios junto às praias. Ainda bem. Democracia também é festa e alegria. Para os vencedores, poder. Para os adversários vencidos, responsabilidade, vigilância e alternativas. Todos são necessários e complementares à governação do país.

Porém, hoje as democracias encontram-se sujeitas a muitas perversões às quais temos que estar atentos. As que mais têm ocorrido no país, segundo o conceituado sociólogo António Barreto, são “a designação de camaradas, colegas, correligionários para cargos e funções. Nomear familiares, ocupar instituições e empresas. Na crença de que a legitimidade democrática serve para tudo, incluindo a corrupção e o nepotismo. Nomear capitalistas em cartas de conforto e favores de créditos. Fabricar gestores públicos. Nomear por fidelidade e amizade. Entender que a democracia eleitoral e partidária preencha vida e que concede autoridade para que os vencedores possam dispor das instituições, das organizações, das leis e das regras de vida em comum”.

A democracia, como se sabe, não sendo o paraíso na terra, é composta por cidadãos virtuosos e por gente vulnerável a contínuas tentações. Uns tentam ser responsáveis e cumpridores das regras democráticas. Outros porém, quer por ação ou omissão, a tudo recorrem para ir minando a democracia, aproveitando-se apenas dos seus benefícios. Daqui a necessidade a irmos vigiando e melhorando. Reconfortantes Férias.

florentinobeirao@hotmail.com

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