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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Um lindo passeio

De vez em quando há surpresas agradáveis. Aconteceu agora com este post, escrito pela Emília Pires, de Carnaxide, irmã do Alexandre Pires, nosso colega, que, com a São (sua esposa) foram os três ao passeio anual da UASP, a Federação das associações dos antigos seminaristas de Portugal. 

Que bem escreve a Emília! Eu apenas copiei algumas fotos. Obrigado. AH

 

POR ENTRE LEVADAS E VEREDAS...

 

Uasp1.jpg

Muitos são os turistas que diariamente chegam à ilha da Madeira, atraídos pela sua beleza, pelo seu clima ameno e pela espetacularidade de alguns eventos que oferece, de entre os quais se destacam o “Fim de ano na Madeira”, célebre pela grandiosidade do seu fogo-de-artifício, e o “Carnaval madeirense”, animado por desfiles carnavalescos à boa maneira do Brasil.

Integrada no grupo organizado sob a égide da União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses (UASP), no âmbito do projeto “Por Mares Dantes Navegados” e sob um programa que a mim me parecia ambicioso, desembarco, pela primeira vez, no aeroporto do Funchal, com“uma mala cheia de curiosidade e espectativas”, passe a expressão.

Por entre levadas e veredas, atravessando túneis, vias rápidas, estradas estreitas e sinuosas e caminhos ancestrais, percorremos a ilha da Madeira: uma Terra em que dominam as paisagens naturais e verdejantes de uma beleza indiscritível; mas também uma Terra de contrastes. Sentimos isto quando subimos ao Pico do Arieiro, um dos picos mais altos da Madeira.

A subida ao Pico do Arieiro é feita por uma dessas estradas estreitas e sinuosas, de desafiar o abismo, em que uma espreitadela aos desfiladeiros é de cortar a respiração, mas de uma beleza extraordinária!

Uma vez lá, confrontamo-nos com uma paisagem agreste, que se cobre de neve no Inverno, contrastando com o resto da ilha, verdejante e de clima ameno.

Sob um olhar, ainda que muito ligeiro, sobre a história económica do povo madeirense, pude constatar, nos diferentes percursos pela ilha, que, apesar de uma urbanização cada vez maior do território madeirense, onde se destaca o Funchal, ainda são percetíveis os poios,designação dada na Madeira aos socalcos cultivados. Eles testemunham o esforço de muitas gerações de agricultores que, desde o início do povoamento, lutaram por encontrar o seu sustento na encosta da montanha, desafiando a natureza e construindo muros sólidos de pedra para suster, de forma resistente, face à erosão provocada pelas chuvas, as terras para cultivo. Progressivamente abandonados, os poios são o vestígio de uma Madeira rural em que se praticava uma agricultura escassa e de subsistência.

Percorremos uma das muitas levadas que existem na ilha. Soubemos que a sua construção permitiu levar a água aos lugares mais secos e, consequentemente, torná-los mais produtivos.

As condições climáticas e o relevo montanhoso permitem ainda  cultivar uma variedade de produtos mediterrânicos e tropicais. E isto pudemo-lo constatar quando entrámos, logo pela manhã, no Mercado dos Lavradores, no centro do Funchal, tendo sido agradavelmente surpreendida por um ambiente onde a beleza e o colorido de frutos exóticos impera.

Visitámos o povo madeirense em muitos dos seus aspetos culturais, nomeadamente através do seu tradicional folclore; e entrámos na sua religiosidade.

Conhecendo a história de cada uma das igrejas que visitávamos e interagindo com as comunidades locais na celebração da eucaristia conhecemos este povo na sua prática religiosa diária.

Da mesma forma, ao visitarmos a igreja de Nossa Senhora do Monte, padroeira da diocese e da cidade do Funchal e venerada desde os primórdios do povoamento da Madeira, tivemos contacto com a sua religiosidade pela devoção manifestada, em festas e romarias, aos seus santos devotos.

Ao visitarmos o mosteiro de São Bernardino, na cidade de Câmara de Lobos, conhecemos a história de um povo peregrino que ali afluía, deslocando-se sobretudo por mar, para, junto do túmulo de frei Pedro da Guarda, agradecer e pedir a sua interceção.

Ao longo das diferentes viagens pelo arquipélago da Madeira, vários foram os locais que visitámos, nomeadamente o Convento de Santa Clara e o Museu de Arte Sacra, para além das várias igrejas e capelas, que nos fizeram aperceber da forma como a arte, ao longo dos séculos, está intimamente ligada à Igreja e às diferentes formas de manifestação da religiosidade de um povo.

A ida à igreja paroquial de Santa Cecília, pela sua construção e pela sua história, sugere-nos alguma reflexão sobre os novos conceitos de arte e a sua influência na dinâmica religiosa de uma comunidade.

Uasp5.jpgMerece uma especial referência a visita ao Bispo do Funchal, D. António Carrilho, pela forma como nos recebeu, generoso e de espírito aberto.

A curiosidade e espectativa com que iniciei a viagem pela ilha da Madeira manteve-se ao visitar a ilha do Porto Santo.

Num paraíso de magníficas praias de areia dourada, sobressaía a história de um povo que, pelo seu isolamento, foi objeto de saques de piratas e corsários; sofredor, mas lutador na procura pela sobrevivência contra a agressividade do clima e a aridez das terras.

Perante tudo isto, tenho de confessar que não me senti uma turista na ilhas da Madeira e do Porto Santo, mas antes uma visitante do seu povo, através do contacto com a sua cultura, a sua história e a sua religiosidade. Isso aconteceu graças ao grupo que integrei, sobre o qual não poderei deixar de destacar:

– os saberes do senhor Gama, sempre atento a cada pormenor da história dos locais que visitávamos;
– a sabedoria de monsenhor Luciano Guerra, sempre oportuno nas suas intervenções (a história do sapato produziu os seus efeitos!);
– a liderança, concertada com a Isabel Oliveira, do padre Armindo Janeiro na condução do grupo;
– o papel do padre Artur, enquanto dinamizador na preparação dos cânticos das celebrações eucarísticas.

Quero expressar um especial reconhecimento pela competência e generosidade dos motoristas e guias que nos acompanharam ao longo de toda a nossa visita ao arquipélago da Madeira.

Sobre todos os participantes tenho a dizer que, na minha terra, antigamente não era usual dizer-se que uma pessoa era simpática; para expressar essa ideia de uma forma mais calorosa, na linguagem popular, dizia-se que essa pessoa era amorável, bem falante ou de boas falas: foi assim este grupo!

A todos os companheiros desta jornada um grande Bem-hajam porque vim de coração cheio, pelo que vi e vivi.

Emília Ramos Pires, irmã de Alexandre Pires, do Seminário Diocesano de Portalegre

 

 

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