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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

UM ENCONTRO ABENÇOADO

20.05.19 | asal

Impressões pessoais: do Encontro e do Cardeal...

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     Não tenho palavras para agradecer à Comissão por nos ter proporcionado uma reunião tão bem planeada e executada. Tudo a horas! Nada falhou! Isto não aconteceu por magia… Obviamente! 

 Vou elencar rapidamente as impressões porque outro assunto aqui me traz. Gostei muito de ver o P. Joaquim da Mata Matias, que não via desde o funesto acontecimento que o atingiu num acto de generosidade que a Imprensa da altura noticiou, mais ou menos, assim: “o Padre que perde as suas mãos para salvar a vida das crianças.” É que, por vezes, temos santos ao pé da nossa porta, sem darmos por isso.

  A conferência do António Manuel foi simplesmente espectacular. As imagens deram uma presença plena ao seu discurso. Vimos ali o Jesuíta na sua autenticidade local e familiar, sem que a sua condição de cidadão da Europa e do Mundo ( e da Cidade Celeste) ficasse ofuscada.

 Tive uma pequena conversa com o Pires da Costa que me encantou.

  O Patrocínio, grande obreiro da nossa diocese, deu-nos informações preciosas sobre o Seminário de Alcains e o seu património, que não podem ficar na escuridão dos arquivos.

  E  last , but not the least, o pequeno e grande  livro do José Alves Jana O meu Seminário ( 1963- 1974), Edição do Autor, 2019, 160pp, que já li , de um fôlego, ( na noite, depois do Encontro, quem dizia que eu dormia?)  e que estou a reler para aqui publicar algumas notas críticas se eu for capaz e se o nosso querido blogger o consentir. Um encanto de escrita e de rigor histórico, que respira verdade e sinceridade por todos os poros. Apetece-me dizer que o mundo do Alves Jana é como o da Sophia de Mello Breyner, limpo, inteiro  e rigoroso, nada de coisas farfalhudas, nada de aldrabices, claro, clarinho, simples, sendo que, na simplicidade, sempre alguma complexidade se esconde. Por favor, não se esqueçam de ler esta obra. Adiá-la para as calendas é ficar mais pobre, é não meter a mão no seu tesouro!  E partilhem com outros estas memórias, como pede o autor. p. 159.

  E agora! O Cardeal Luís António Tagle esteve aqui, em Coimbra, na Caritas e contou esta história.  Conheceu no Líbano uma assistente social de nome Joana d’Arc, que trabalhava junto de refugiados  ilegais.  Um dia, foi convidada a dar formação, em Damasco, a outras assistentes sociais. Normalmente, deslocava-se de táxi. Mas um dia, o taxista recusou-se a receber o dinheiro da viagem. Intrigada, insistiu e ele sempre a recusar.  Até que o taxista se cansou e “explodiu”:  como é que eu ficava com a minha consciência se eu aceitasse o pagamento da Caritas? Lembro-me como se fosse hoje. Um dia, estava eu preso em Beirute. Tive uma forte dor de cabeça, pedi um comprimido e os guardas desprezaram-me. Entretanto, veio você ao encontro dos meus gritos e deu-me o comprimido. Desde então, a imagem do seu rosto nunca mais se apagou da minha memória. E conclui  o Senhor Cardeal, considerado na Cúria como o sucessor de Francisco: o nosso trabalho é o amor, acções simples de amor que têm, todavia, um grande impacto na vida dos outros. (  Caso extraído do Correio de Coimbra de 16 de Maio)

João Lopes