Um dia especial
Hoje prometi a mim mesmo que ia escrever para o blogue. Este "Animus Semper", de que me queixo às vezes por falta de novidades, vai mais uma vez ser o suporte fiel das minhas divagações pessoais, sempre com vista a animar os colegas e leitores.
Podia falar da consolação que sinto por estar na Consolação-praia, o que já era especial, até porque estes dias de mar calmo e brisa suave não são o espelho da zona, onde impera o vento e as temperaturas baixas. Podia ainda falar do jogo com o Catar, mas nem sequer o vi, pois o sol da praia era mais importante. Afinal, porque estou aqui?

Tive a surpresa de uma visita especial. Olhem para esta foto!
Sim, o Carlos Tavares, sabendo da minha presença na praia das pedras negras, dignou-se vir visitar-me esta manhã. Nunca tínhamos estado juntos a conversar, cumprimentei-o na Sertã em 2019 e o resto tinham sido palavras soltas nas redes sociais, onde fiquei a saber que ele também vinha para aqui há muitos anos e tinha casa nesta praia. Assim, foi bom eu ter dito que estava aqui, para o que o Facebook serve à maravilha.
E a conversa prolonga-se por muito tempo... Como é que dois "estranhos" têm tanto a dizer um ao outro? E são coisas muito interessantes. O mais importante é já esta proximidade que sentimos, a relação mútua com muitos amigos, de quem falamos com amizade e alguns com saudade. Então não fico a saber que ele é cunhado do Manuel Cardiga, que ensinou Matemática a muitos de vós? Neste momento, o Cardiga está em Cardigos, enviuvou há algum tempo e entregou aos cunhados a casa que tem aqui. E eu fiquei com vontade de um dia com alguns colegas mais velhos aparecermos ao Manuel Cardiga, ele que já sabe o nome do responsável pelo blogue... Porque não?
Mas a conversa continua na lamentação por a pandemia não nos deixar programar uns encontros: «desde a Sertã que nunca mais nos vimos!», dizia ele. E falava da alegria dos encontros de Azeitão com colegas do mesmo ano, organizados pelo Arménio S. Duque, onde apareceram colegas que há 30 anos não via. E falámos dos professores, desde o seu professor de Inglês - P. Lúcio ao Assis, ao João Lopes, ao P. Cardoso (ainda no Gavião), ao Florentino (seu professor de Música e de Português) e muitos mais que a minha memória já esqueceu...
Ele também é sobrinho do P. Alberto Tavares, meu professor de Latim no Gavião, que passou os seus últimos anos na casa da família, num tempo em que a sacralidade do sacerdote punha todo o mundo ao seu serviço. Coisas de família...
Também falou do seu desejo de adquirir o livro do Seminário de Alcains. Ficou com o telefone do Florentino - 964819423 - (fica aqui para outros colegas se servirem dele para encomendar o seu livro - olhem que vale a pena!). E eu pude dizer-lhe que uma associação que durante a pandemia consegue reunir 30 textos e ver 82 colegas a cotizar-se para conseguirmos dinheiro para a impressão do livro tem realmente no seu interior muita vida, muito sentido associativo e, por isso, muita razão de existir.
De tarde, ainda pudemos encontrar-nos de novo para visitar a casa do Manuel Cardiga, onde senti emoção especial. É o Carlos e a esposa que agora tomam conta dela e vão aproveitar aquele belo espaço para arrendar a familiares e amigos. Acho que vocês devem aproveitar, como nós, pois o benefício desta Praia da Consolação repercute-se na saúde.
Conclusão: o blogue hoje não fica vazio... Valeu a pena!
António Henriques
NOTA: E amanhã quem vai encher estas páginas? Escrevam para asal.mail@sapo.pt