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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Um assalto ao castelo da União Europeia

14.05.19 | asal

Mais uma colaboração do amigo João Lopes. AH

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 O norte-americano Steve Bannnon, 65 anos, formado na prestigiosa Harvard Business School, conhecido pela   estratégia política e eleitoral que resultou na vitória do improvável Trump, parece ter forjado com o britânico Nigel Farage, um projecto sinistro: demolir a estrutura actual da União Europeia.  Chefe de fila de todos os movimentos anti-europeus da extrema direita, que, ultimamente, têm crescido como cogumelos, comprou o velho convento dos Cartuxos, a 50 Km de Roma, para ali fundar o que ele designa com o nome pomposo  de “Academia Cristã do Ocidente“. Até hoje, o principal académico dá pelo nome de Matteo Salvini que, ao seu serviço, tem todo um regimento de católicos conservadores,  virulentos adversários do Papa Francisco, por eles enxovalhado com os mais ignóbeis insultos de “socialista perigoso”  e elemento desestabilizador da Pax Europea!

M. Salvini, apesar da sua condição de vice primeiro do Governo Italiano,  faz o que nenhum membro de qualquer governo, alguma vez, se atreveu: atacar directamente o Pontífice Romano e o Chefe de Estado do Vaticano.  Sem rebuços, acusa-o de traidor, estrangeiro e anti-europeu por liderar uma campanha de acolhimento dos refugiados e imigrantes. Ainda ontem, se podia ler mais uma diatribe do famigerado líder da Liga Norte. O Santo Padre nomeou um jovem arcebispo polaco para o cargo de esmoler da Santa Sé. O nosso jovem cardeal tem desempenhado o cargo com um zelo admirável. Colocou duches e casas de banho, camas e outros dispositivos na magnífica colunata de Bernini, na Praça de São Pedro. Isto depois de ter transformado seminários e conventos desabitados em casas de acolhimento. Ora, aconteceu que, há pouco, aportaram a Roma cerca de 500 pessoas, refugiados, vindos de Lesbos, e que, ainda mal refeitos do susto da travessia marítima, pediram auxílio ao governo de Roma, que os escorraçou.

  Então, o nosso Cardeal, que passara, noites e noites, a distribuir comida, sem pedir licença, encaminhou-os para um edifício público desativado.

  Como não pagassem a luz, os serviços selaram os contadores. Mas o  Senhor Cardeal não se fez rogado e vai de descer ao poço, arrancando os selos dos ditos,  com o pretexto de que não se podia deixar sem água nem luz aqueles pobres infelizes.  Perguntado por um jornalista se era ou fora electricista, o nosso Cardeal respondeu  não ser propriamente electricista, mas liturgista e o pouco que sabia, o devia a L. Walesa, o 1º presidente da Polónia democrática. Salvini não perdeu a ocasião para lhe exigir o pagamento de 300 mil euros da factura. A conta era, por direito, da responsabilidade da Câmara - arguiu o Senhor Arcebispo, divertido, mas, se o Estado se apresentava desprovido de recursos, graças à boa gestão do Governo(!), então ele, Esmoler do Vaticano,  pagaria a conta e até se oferecia para pagar os recibos do Ministro.  Este, furioso, escoiceou mais uma injúria contra o Santo Padre e a sua política de caridade e pretensão de salvar o mundo - o velho e requentado argumento da Direita anti-social!

  Com este caso, quase me esquecia do famigerado  Bannon e o seu sonho de congregar  os Povos e Nações  para reconfigurar a Velha Europa.  Ei-lo a conspirar com Marine Le Pen, Santiago Abascal do Vox, Victor Orbán da Hungria, Farage e toda a extrema direita, sem esquecer Trump e Putin, que, na esteira de Mussolini, vão tecendo a mesma teia, nacionalista e xenófoba, lançando a espada de Dâmocles sobre a Democracia e  a Egrégia Carta dos Direitos Humanos.  E assim vamos, entre Cila e Caribdes, para as novas eleições.  Só os incautos, utópicos ou ingénuos, é que ficarão em casa enquanto a nossa querida Europa arde… Apesar de alguns defeitos de formação, devemos-lhe 70 anos de paz! E Isto não tem preço!

( Para mais, ver Revista do Expresso, 11 de Maio 2019)

João Lopes