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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

TEXTO E CONTEXTO

12.02.21 | asal

Este texto até vem com prefácio. Sempre vale a pena reclamar mais colaboração!... AH

Olá,meu caro António!

Boa noite!
Antes de mais, quero também eu mostrar-me grato pelo trabalho profícuo que vens mantendo ao leme desta nossa nau dos saudavelmente nostálgicos. Parafraseando outros, Deus te dê longa vida com essa capacidade de doação.
Eu que sou dos preguiçosos, tímidos e um tanto covarde, não quero, contudo, deixar cair o repto que lançaram para colaboração escrita e aí te envio um pouco de mim para todos nós, se achares que merece publicação. Quanto aos ecos, bastam-me os teus para me demover dessa inércia.
Um abraço fraterno!
Gil
 

 

Os seminaristas das Sociedades Missionárias, coitados deles, só vinham a casa um mês por ano, e mesmo esse mês sendo preenchido com o ofício diário da Santa Missa e outras atividades de cariz evangélico orientadas pelos párocos mais zelosos, como acontecia em Proença com o Sr. Vigário, padre Alfredo Dias. Nós, os felizardos diocesanos, vínhamos sempre a casa pelas férias escolares, e mesmo os das aldeias recônditas, como eu, na Isna de S. Carlos, escapávamos a essas práticas a que os da vila, por arrasto, não podiam eximir-se.

Ora, era certo e sabido que, antes de partirmos para férias, lá vinham as recomendações comportamentais, de entre as quais sobressaía o alerta para evitarmos intimidades com as primas. Contudo, apesar de não me ser estranho o dito “quanto mais prima, mais se lhe arrima!”, não compreendia que validade tinha esse alerta numa povoação pequena como a minha, em que ainda a escolarização compatível com a nossa própria não tinha chegado às mocinhas e mesmo o contacto com as primas, normalmente envolvidas nas pequenas desavenças familiares, não tão pouco frequentes nessa altura, nos estava naturalmente vedado. Claro que não nos faltaram ocasiões tentadoras, aqui e ali, graças a Deus, em que por norma nos confessávamos vítimas inocentes. Aqui, cada um saberá de si!

É este o contexto para um singelo e despretensioso arrumar de versos com que um dia, naquele convívio no Pergulho, que com o Manuel Cardoso à cabeça e o meu envolvimento orquestrámos e o Colaço, com toda aquela mestria, conduziu, eu quis homenagear as nossas esposas. Durante o repasto eu distribuí uma cópia a cada uma das esposas presentes, mas como acontece com os papéis que vamos colecionando e a que por norma quase nunca voltamos, volto eu, agora, até para anuir ao desabafo da falta de colaboração com o blogue e para dar conhecimento àqueles cujas esposas se fecharam em copas e não lhes deram a saber, e aos outros que não estiveram presentes, poucos, felizmente, naqueles tempos de embalo nostálgico inicial.

 Claro que não me arvoro em poeta lírico, desses que conseguem aninhar todo um universo de sentimentos na singeleza de uma palavra, mas mero artesão de versos, uma fórmula narrativa pessoal de expressar comoções. E que fique claro, após todo este contexto, que ex-seminaristas, ex-padres e ex-quase padres ilibamos as nossas esposas de qualquer resquício de culpa que possam ter sentido por nos desviarem do caminho do sacerdócio.

 

MATER AMORABILIS

Não te recrimines, Circe da minha paixão,

Não me subjugaram os beijos que me deste:

Quis-te minha com a razão,

Pergulho.jpeg

Não foste tu que me perdeste.

Eu não era ingénuo, só inexperiente

E vivemos nosso amor como um limiar,

Sorvemos a vida, de modo impaciente,

Destilámos amor, sem nunca fartar:

Resolvemos tudo, de uma assentada,

Como potros no pasto, à desfilada…

Rimos com os olhos, latejando o coração,                                     Encontro em Pergulho - 2009

E “ficámos”, como hoje soe dizer-se: 

Contudo, foi na transparente razão

Que Amor veio sempre abastecer-se.

Foste tu a armadilha do meu destino

Mas não culpa tua meu desatino.

Queremos hoje celebrar-te,

gil dias.png

Mater nostra amorosa,

E ante todos reconhecer-te,

Apis melifica, doce e olorosa,

Fonte da vida que o amor instiga,

Mulher, amada, amante e amiga.

                                                                                 Gil

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