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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Tempo de reflexão

24.11.19 | asal

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Do inverno para a primavera - um ciclo de vida inevitável ou algo mais: uma postura humana capaz de renovação pessoal? Pires da Costa mais uma vez conosco! AH

 

    Seja qual for a natureza duma evocação, é quase inevitável que ela nos conduzirá ao gesto de reflectir.

    Passado, presente e futuro formam uma trindade capaz de dar uma mais completa  forma de viver, se soubermos fazer um encadeamento dos citados períodos temporais  na base de uma permanente reflexão que os ponha, ao  mesmo tempo, unidos e separados, isto é, interdependentes  mas não amarrados.

    Daí que a reflexão meditada, serena e objectiva poderá  constituir a forma ideal para nos apercebermos das realidades das nossas vidas e de tudo o que nos cerca, ou seja, a sociedade e o meio em que nos encontramos inseridos.

    No cumprimento de um calendário determinado pela natureza e organizado pelos homens, decorre, neste período do ano que se aproxima e a que chamamos Inverno, o tempo por excelência para meditarmos sobre o que têm sido as nossas vidas e, em consequência disso, reflectirmos sobre o modo como poderemos aperfeiçoar a nossa conduta, o nosso comportamento e a nossa atitude em face dos valores em que acreditamos com convicção, sejam eles de que natureza forem.

    Nos tempos convulsos de hoje, em que parece não haver tempo para nada, na procura de tudo se querer fazer sem que, muitas vezes, saibamos bem porquê  e para quê, bom será que todos e cada um de nós paremos, de vez em quando, para examinarmos, à luz dos princípios consensuais colhidos nos ensinamentos já recebidos e na experiência que o correr da vida nos dá, a nossa postura no mundo em que vivemos, muitas vezes perturbados e confusos.

    Que o ser solidário não se limite apenas  à tomada de atitudes revestidas de um certo folclore, balizadas pelo cumprimento de calendários e hábitos estereotipados, como que na procura de uma boa consciência que nos é imposta pelo conceito do bem parecer e nos transmite uma cómoda mas falsa tranquilidade. 

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  Se bem procurarmos, será nos dias e noites de maior recolhimento, que  a época dita invernosa nos proporciona, que poderemos encontrar  as vias mais propícias  para nos  humanizarmos num grau de perfeição mais elevado.

    E tal como a mãe Natureza que parece parar durante um trimestre em cada ano, como que para se revigorar e arranjar forças  capazes de a manter produtiva no restante período  da sua translação em volta do fornecedor da luz que a ilumina, também nós, – que nos autoproclamamos os mais dotados seres do planeta, ainda que muitas vezes não o pareçamos – aproveitando uma certa quietude a que este tempo nos obriga,  poderemos  aprofundar as nossas reflexões, com vista a um aperfeiçoamento que nos torne mais esclarecidos, mais determinados, com a alma mais aberta e capaz de deixar entrar no nosso íntimo um sentimento de fraternidade que nos ajude a sermos mais humanos e solidários.

    Só assim poderemos aspirar a um futuro mais risonho, mais digno, mais equilibrado, mais sadio e frutuoso, não só para cada um de nós mas também para os outros, numa espécie de jogo de reciprocidades  em que todos poderemos ganhar. Todas as épocas são boas para reflectir. E talvez que um dos males dos nossos tempos seja reflectirmos pouco. Curiosamente, com a desculpa de que não temos tempo. Ou será porque não queremos ou não nos convém?..

    Queira Deus que todos, homens e mulheres desta humanidade um tanto desvairada no turbilhão das ideias e dos actos, arranjemos tempo para uma reflexão que nos abra o olhar e o espírito com firmeza, de modo a que possa concretizar-se o desejo do Poeta : -  Quando dúvidas tiver o Homem / Sobre o que é mal ou o que é bem, / Que  as forças cegas se domem / Com a visão que a alma tem…

A. Pires da Costa

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