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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Sobre a Inteligência artificial

16.11.18 | asal

Os homens de monóculo são perigosos

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Nos debates desta semana no Festival de Filosofia, estiveram sempre presentes três atitudes bem distintas:

Tecnofobia: o medo da técnica e das suas inovações. Diria que olham apenas com um olho e, por isso, só vêem perigos. Ora quem só vê perigos, naturalmente, tem medo. E se o medo atinge uma determinada dimensão, então o futuro só nos pode reservar a catástrofe. O cinema de ficção científica há muito que explora este filão das visões catastrofistas.

Tecnofilia: o amor à técnica e às promessas e inovações que ela nos irá proporcionar. Estes olham apenas com o outro olho. Tudo o que aí vêm é extraordinário e os perigos ou não existem ou são despiciendos. A ciência e a técnica são a única esperança e a salvação da humanidade. As pequenas areias que surgem no percurso não passam de pequenos acidentes que, mais tarde ou mais cedo, serão eliminadas.

Realismo: não se podem negar os benefícios da tecnociência, mas também não se podem esquecer os muitos problemas que a sua evolução tem trazido. Como humanos, somos convidados a olhar com os dois olhos. Só esse uso garante uma visão mais equilibrada e perfeita. Só ela permite em simultâneo, usufruir dos inúmeros benefícios que a ciência e a técnica proporcionam, mas, ao mesmo tempo, exige atenção e vigilância em relação às ameaças e perigos que aí vêm e que já estão aí. A vida, no aqui e agora, é este misto de esperanças, alegrias e conquistas com ameaças, perigos e medos. Da estrutura de qualquer humano fazem parte as suas crenças e as suas esperanças.

O que há aqui de novo?

Nada. Sempre que há grandes alterações civilizacionais ou alterações significativas na vida de um ser humano, uns tendem a agarrar-se à segurança do passado, outros tendem a avançar pelo futuro sem precauções enfeitiçados pelo riso do futuro no horizonte. A maioria busca um equilíbrio, aproveitando a riqueza do passando, fazendo do futuro o motor do seu empenhamento e construindo e melhorando o presente.

Pessoalmente não sou dos que acham que no presente tudo está mal, como não aceito que tudo está bem. Nunca vivi num dos oásis que ouvi proclamar a vários políticos portugueses, mas também nunca vivi no vale de lágrimas bíblico. Felizmente! Não simpatizo com os que pensam que a História caminha do bem para o mal. Prefiro crer que avançamos do mal para o bem. Melhor, do menos bom para o melhor.

A vida humana é sempre esta mescla de bom e de mal ou menos bom. A minha idade ensina-me: o positivo (bem) e o negativo (mal) coabitam sempre, mas o saldo vai sendo sempre o avanço para melhor. Todos os indicadores o afirmam.

As grandes alterações prometidas pela Inteligência Artificial, as suas repercussões no Trabalho e as inquietações suscitadas pelo Transumanismo já não poderei ser testemunho ou utilizador, mas espero que os jovens filósofos abrantinos, quando chegarem à minha idade, possam confirmar a minha tese e esperança no poder humano para construir um futuro melhor. Como nunca, a terra será a casa de todos pela qual cada um é responsável e as inovações tecnológicas permitirão tornar os humanos verdadeiramente cidadãos do mundo.

Mário Pissarra

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