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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Saudades da terra - 2

25.02.22 | asal

Caro António, na sequência do poema do Gedeão, ocorreu-me este breve texto, para possível publicação, com votos de boa saúde para toda a nossa FRÁTRIA. José Caldeira

FREI GASPAR FRUTUOSO

Gaspar Frutuoso.JPG

"As palavras são como as cerejas...". Este poema do Gedeão fez vir à minha memória idêntico título "Saudades da Terra", o qual designa a vasta obra de Frei Gaspar Frutuoso, ilustre historiador micaelense. Este grande vulto do humanismo renascentista, ilustre eclesiástico nos Açores, deixou-nos uma valiosa obra em 6 livros, multifacetada, carregada de simbolismo mas também cheia de informações preciosas para a conhecimento da sua época - descobrimentos portugueses - e especificamente Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.. Foi contemporâneo de Bernardim Ribeiro, autor da novela "Menina e Moça",  e, tal como este, "jogou" com o simbólico. Atentemos no estilo de Frei Gaspar, no início da sua obra :

-"Enjeitada nasci no Mundo, triste, sem ventura, e logo de pequena comecei a ser desestimada por esta tacha. Seis horas,  me dizem alguns, e outros uma só, que tive riqueza e alegria, quando meu Pai era inocente, rico e ledo."

Em paralelo, a introdução da "Menina e Moça":

José Caldeira.jpg

-"Menina e moça, me levaram de casa de meu pai para longes terras. Qual fôsse então a causa daquela minha levada, em pequena, não na soube (...)".

Por ora fico-me por aqui.

Abraço amigo do J. Caldeira

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Amigo José Caldeira, levantaste a lebre e eu recolhi do blogue "As Ilhas Encantadas" esta prosa e foto sobre o ilustre açoreano que tu ressuscitaste:

«Frequentou a Universidade de Salamanca, onde concluiu os bacharelatos em Artes e Teologia, em 1558. Salamanca era, ao tempo, um meio cultural importante, onde não faltavam intelectuais de alto nível. Mesmo assim, o jovem Gaspar Frutuoso não deixou de sobressair, com distinção, nos seus estudos universitários, sendo mesmo apelidado de EI grande sabio de las Islas de Portugal.
Frutuoso, ao que tudo indica, veio à ilha de S. Miguel tomar ordens de sacerdote, provavelmente nas férias de 1554, regressando depois à Universidade de Salamanca.
Acabados os estudos em Salamanca, vemo-lo servindo, entre Outubro de 1558 até Março de 1560, na Igreja Matriz da Lagoa, em S. Miguel. Só depois deve ter partido para o Continente, tendo-se fixado na Dioceses de Bragança (onde se manteve durante o governo do bispo D. Julião de Alva, que lhe concedeu benefícios com rendimento superior a mil cruzados), leccionando no Colégio dos Jesuítas, ali fundado em 1561.
Ter-se-á também doutorado, por esta altura, provavelmente, em Évora.
Em 1564, Frutuoso renunciou a todos os seus benefícios e abandonou Bragança, para regressar a S. Miguel, aceitando os cargos de vigário e pregador da Matriz de Nossa Senhora da Estrela da vila da Ribeira Grande, de que tomou posse a 15 de Agosto de 1565.
É, portanto, aos 43 anos que Gaspar Frutuoso, munido de grande ilustração e experiência, abandona uma vida animada por viagens e convívio com gente culta e distinta, para se tornar no humilde pároco da Ribeira Grande.
É na Ribeira Grande que fica até ao fim da vida e onde, para além do trabalho paroquial e da prática da caridade, constrói o importante legado histórico que deixou. A investigação e a recolha das tradições das ilhas, cujo povoamento se verificara há pouco mais de cem anos, dão origem à sua grande obra, Saudades da Terra, a principal e quase única fonte do início dos tempos históricos das ilhas dos Açores.
Gaspar Frutuoso morreu a 24 de Agosto de 1591, tendo dito missa na sua igreja ainda nesse dia e, segundo o respectivo termo de óbito, sem ter feito testamento, por Nosso Senhor o chamar de pressa e não ter tempo
AH