Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Saudade

Pissarra.jpg

 A filosofia de Mário Pissarra!

 

Certa ocasião quando jovem, na Alemanha (RDF), vendo-me acabrunhado e triste, a simpática Sr.ª Rosa Hilgert perguntou-me se tinha saudades (Heimveh nach) de Portugal e da família. Respondi-lhe cortesmente, mas não lhe pude explicar. A minha simpatia e curiosidade nunca se alimentaram com as preocupações e discursos autofágicos da portugalidade e o seu oscilar entre um pólo saudosista e nostálgico de um sebastianismo enevoado e um esperançoso V.º Império de um sapateiro de Trancoso ou do mestre da língua portuguesa, o Pe. António Vieira.

Velhos do Restelo e outros tipos de saudosistas, carpidores do presente e desesperados com o futuro não entram na minha mala de viagem. Também dispenso os visionários utópicos de todas as espécies. Picou-me uma bicha chamada Simone Beauvoir que na Sabedoria das Nações apresentou uma ideia que me seduziu: os europeus passam o tempo a equacionar problemas; os americanos resolvem-nos. Sempre tive a sensação que muitos portugueses se comprazem com questões e teorias perfeitamente improdutivas. Alimentando-se com o sonho de um passado glorioso (que nunca ou pouco o foi) e uma esperança de um futuro risonho (de cumprir uma missão), perdem parte das energias necessárias para a construção de um presente que valha a pena.

Este irrealismo lírico torna-nos os eternos insatisfeitos, os eternos críticos do que quer que se faça, sempre prontos a fugir da tarefa de todos – construir Portugal - , perdendo-nos entre o omnipresente saudosismo e a promessa e esperança que nunca chegam.

Deixo-lhes dois poemas que muito aprecio sobre o tema: Saudade. O primeiro, é da Florbela Espanca; o segundo, de uma canção popular açoriana da ilha Terceira.

 

Há uma palavra na terra

Que tem encantos de céu;

Não é amor, nem esperança,

Nem sequer o nome teu.

Essa palavra tão doce,

De tanta suavidade,

Que me faz chorar de dor

Quando a murmuro: é saudade.

 

A saudade é um luto

Uma dor, uma paixão;

É um cortinado roxo

Que me cobre o coração.

 

Espero que a coberta do vosso coração seja de cores fortes e quentes e que, se chorar, que o façam por alegria ou graça.

Mário Pissarra

Mais sobre mim

foto do autor

PORQUÊ

VAMOS COMEÇAR

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Links

  •  
  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D