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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Santo António de Lisboa - 800 anos

13.06.20 | asal
Caro Henriques
Há quem hoje  cheire um delicioso  manjerico, há quem saboreie uma prateada sardinhada com pimentos à volta. O Santo António a todas estas boas delícias nos convida. Para mim, sobrou o tentar revisitar um pouco da sua vida, curta, mas muito  fecunda. Partilho com Amigos do Animus as minhas descobertas acerca deste Santo bem português que ainda conviveu com São Francisco de Assis, seu mentor e admirador.
Para todos que nos acompanham, abraços e votos de saúde.
PS-  Fiquei muitocontente em saber pela irmã do Zeca, meu conterrâneo e amigo, que se encontra já em sua casa e muito bem disposto. Haja Deus!!!
Florentino

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Um franciscano universal

Se não fora o ambiente de pandemia em que ainda hoje nos encontramos, neste dia 13 de Junho, seria comemorado, festivamente, o franciscano António de Lisboa (1195?-1226), um dos santos que suscita a maior religiosidade popular por todo o nosso país. Não só em Lisboa, mas pelo mundo católico, graças à propagação dos seus irmãos franciscanos, discípulos de S. Francisco de Assis (1182-1226). Este ano, com maior entusiasmo ainda, uma vez que estamos a celebrar os seus 800 anos, juntamente com a dos primeiros cinco Mártires Franciscanos de África.

Para que não fiquemos apenas pelo folclore da saborosa sardinha assada, dos casamentos e do intenso e agradável cheiro a manjerico, tentemos aprofundar, embora ao de leve, alguns aspetos da vida deste Santo tão popular.

Dizem-nos os seus biógrafos que, não se sabendo ao certo o ano em que nasceu Fernando Martins de Bulhões, apontam para Lisboa em 1195, junto da Sé de Lisboa. Nesta cidade, iniciou os seus estudos, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Daqui, em plena juventude, rumou para Coimbra, para estudar no Mosteiro de Santa Cruz as Sagrada Escritura e Teologia, integrado na Regra de Santo Agostinho. Posteriormente, na cidade dos doutores, aderiu à Ordem de S. Francisco em 1220, a iniciar os seus primeiros passos, onde se tornou amigo de cinco frades franciscanos que viu partir, a caminho do norte de África, para evangelizar os mouros. Na sua peugada, António quis imitar a coragem dos seus amigos quando estes regressaram de África, como mártires da sua fé. Recebidas e festejadas as relíquias dos seus irmãos, Santo António, repleto do mesmo entusiasmo, quis também partir para o mesmo continente. Quando lá chegou adoeceu gravemente, tendo que voltar novamente para Coimbra.

Porém, quiseram as revoltas águas do mar mediterrâneo, quando regressava ao seu mosteiro, o barco desviou-se do seu rumo, devido a uma impetuosa tempestade, indo desembarcar à Sicília. Como grande estudioso e mestre das letras sagradas, em vez de ir converter os infiéis de África, como reza a sua história, acabou por ir pregar e ensinar, não só em Itália, como por todo o sul de França, lutando nomeadamente contra os heréticos albigenses.

Depois de vários anos de pregação itinerante, característica dos franciscanos, acabou por se instalar na cidade italiana de Pádua, onde veio a falecer e ser sepultado, em 1231. Por esta razão, em muitos países da Europa, Santo António é considerado como sendo de Pádua.

Como morreu com grande fama de santidade, o papa de Roma, Gregório IX, um ano após a sua morte, canonizou Santo António, em 30 de maio de 1232. Ao mesmo tempo, foi fixada a sua festa litúrgica no calendário litúrgico da Igreja Católica, no dia 13 de Junho.

A seguir ao final da II Guerra-Mundial, em 1946, o Papa Pio XII, face à grande devoção dos católicos para com este santo, declarou-o Doutor da Igreja, reconhecendo-o como um dos grandes intelectuais do seu tempo. Não apenas pela sua pregação, mas ainda pela obra que deixou escrita.

Pelo que se conhece, como vimos, logo em plena juventude, António tomou a decisão de seguir a peugada dos seus irmãos franciscanos, enfrentando o medo de também ele poder vir a ser martirizado. Esta paixão por Marrocos, como sabemos, insere-se no espírito de cruzada medieval que ainda se encontrava bem viva nesta altura.

Vencendo o medo e o conforto do seu mosteiro de Coimbra, como referimos, Santo António ofereceu-se para ir evangelizar os mouros, recentemente vencidos em Portugal, pela espada dos nossos primeiros reis. Longe de ficar abatido pelo medo, ganhou forças para se lançar no caminho de um provável martírio, como tinha acontecido aos seus amigos.

Tenha-se em conta que Santo António não foi para África como conquistador ou guerreiro de armas na mão, como mais tarde, em 1415, fomos conquistar Ceuta, a ferro e fogo, com o Infante D. Henrique. Pelo contrário, o franciscano português foi apenas movido pela causa da Mensagem de fé, em que acreditava.

O seu espírito pacifista foi-lhe incutido, certamente, através do exemplo de S. Francisco de Assis, ainda vivo na altura, uma vez que o pai fundador desta Ordem religiosa tinha feito uma peregrinação à Terra Santa e ao Oriente, onde contactou com o Sultão do Egito, mostrando o seu respeito pelo Islão. Hoje, diríamos diálogo inter-religioso, tão difícil como urgente nos nossos dias.

florentinobeirao@hotmail.com

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