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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

RIO TRANCÃO

09.09.19 | asal

Recuperado da longa agonia

João P. Antunes.jpg

 

O Rio sempre foi para o povo de Sacavém uma referência muito forte e ao longo dos tempos a história dá-nos a conhecer a importância que sempre teve. Daria para escrever longas páginas, mas darei alguns pormenores que me parecem de algum interesse.
Tem uma extensão aproximada de trinta quilómetros, nasce na localidade da Póvoa da Galega, que pertence ao concelho de Mafra e entra no concelho de Loures pela freguesia de Bucelas, atravessa a lezíria de Loures e vem desaguar ao Rio Tejo no mar da palha.
Recuando na história (1242), as marés do Rio Tejo entravam por esta bacia hidrográfica dentro, chegavam a S.Julião do Tojal, onde no local se desenvolveu a exploração de salinas e atribui-se a um tal Afonso Trancão que detinha uma dessas salinas de grande dimensão o nome que passou a ser atribuído ao Rio de Sacavém - rio Trancão.
Nas suas margens e nas imediações de uma ponte romana que aqui existia, D. Afonso Henriques acampou as suas “tropas” para a tomada de Lisboa e aqui travou o primeiro encontro com os mouros, ficando conhecida pela Batalha de Sacavém.
Já na Idade Média e dado que era uma via de comunicação de preferência por parte das gentes da zona saloia, por aqui escoavam os seus produtos; hortícolas, cereais, pecuários que abasteciam a capital. E o movimento era tanto que Sacavém chegou a ter três cais fluviais cheios de embarcações, conhecidos pelo Cais de Nossa Senhora, o da Barca e o do Peixe.
Foi através dessas embarcações que transportaram rio acima as pedras usadas na construção dos torreões do Convento de Mafra e os sinos do carrilhão até S. Julião do Tojal e o restante trajecto em carros de bois.
Após o violento terramoto de 1755 que assolou a capital e toda a região, o rio Trancão sofreu um lento processo de assoreamento (acumulação de terras e areias) que impediram em parte a sua navegabilidade.

Trancão.jpg

Em meados do século XX pescava-se no rio de águas límpidas e velejava-se em jeito de recreio e nas belas quintas das redondezas em Sacavém e Camarate, que eram destino de férias fora de portas, famílias nobres aqui se instalavam beneficiando dos prazeres da região.

Logo que a indústria se instala altera por completo toda esta zona, todos os seus efluentes vão parar ao Rio, quase que o matam e esta agonia tornou-se célebre pelas descargas poluentes, ficando conhecido como um dos rios mais poluídos da Europa e o mais poluído do País.
Valeu-lhe o projecto da Expo98 e a construção da ETAR de Frielas e Beirolas e hoje o Rio Trancão já não representa perigo, os pescadores começam a pescar nas suas águas, gloriosos e satisfeitos com os peixes que capturam e os amantes dos desportos náuticos, podem usufruir das condições e destas águas tranquilas que o Rio oferece.

João Antunes

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