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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Restaurar PORTUGAL

02.12.21 | asal

 Meu  Caro  António

 Atordoados pela variante Ómicron, mal temos disposição para pensarmos no dia da Restauração da nossa Independência, um feriado que gozamos, sem, talvez, saber porquê. Aqui vai um apontamento, leve e ligeiro, se bem que não o sejam a matéria e razão.  É bom não perder a peugada da História Pátria, a que nos identifica como raiz e utopia. Infelizmente, há muita gente, que,  sob a bandeira do internacionalismo, pouca importância dá ao chão que pisamos, desde a nossa infância. Claro que um amor não invalida o outro. Nada de extremismos, de sinal contrário, que ao nada nos levam.
 Sei que alguns de nós passam um mau bocado. Não interessam os nomes. Cada um tem direito à sua vida privada. Mas rezemos. Nem que seja só um  mexer dos lábios. Um grande abraço sempre agradecido pelo Bem que nos fazes. João Lopes

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  Tão carecidos andamos de uma restauração prodigiosa, que hoje me atrevo a evocar a memória do mui ilustre Padre António Vieira, que, no passado século XVII, a sua vida e sangue deu para nos libertar de quem o sangue nos sugava.  A Pátria, deprimida sob uma carga insuportável de impostos filipinos, precisava de alguém que por nós desse o grito da libertação. 

 Na gloriosa manhã de 1640, mataram os conjurados o odiado e odioso Miguel de Vasconcelos, o tal traidor que nos desgovernava com mão de ferro. Gritou, esbracejou e praguejou a duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal desde 1634.” Ó ingratos e assassinos portugueses, que tirais a vida a um tão prestimoso Secretário e meu Valido, pois sabei que me encontro viúva desde 1612. “

Mandaram-na à fava os corajosos e ilustres rebeldes que o futuro do Reino, até ali enterrado na noite da repressão, voltaria de novo a brilhar no palco do mundo. E lá estava o Farol para indicar o rumo aos navegantes, perdidos com o Encoberto em revoltos mares e tenebrosa tempestade.  E Vieira, o Padre, zarpa das praias do Brasil.

   Em 1642, levanta a voz na Capela Real para o ânimo de D. João, duque de Bragança, temeroso e abatido, alevantar.  Sem receio, teria de tomar da governação as rédeas e aos inimigos fazer frente com coragem e denodo. Sim, Vieira, o Imperador da Língua Portuguesa, o que nunca acreditou na morte do Encoberto, proclama agora, com a trombeta belicosa da sua pregação, que “Ora, sus portugueses, Ele ressuscitou e está aqui bem vivo entre nós.  Estavam cumpridas as profecias…  Logo que chegou a ocasião, Deus disse:  Eu o levantarei Eu o levantarei e sustentarei nos meus braços. Porque então era chegado o Tempo!   Dizendo aos Portugueses o que diz S. Gregório que disse Cristo à Madalena: Reconhecei a quem vos reconhece: reconhecei por Rei a quem vos reconhece por vassalo. Eis o princípio da nossa Redenção. (Sermão dos Bons Anos pregado por Vieira no dia do Ano Bom de 1642.)  D. João, comovido de tanta Fé, agradeceu  e fez-se à estrada com os seus fiéis cavaleiros, enquanto Vieira, vestido à civil, vai, pelas cortes da  Europa, defender a nossa Causa, cortando as mais variadas Línguas em conselhos e embaixadas, e até o renitente Papa de Roma convenceu.      Iluminado pelo Santo Espírito de Deus, que este pequeno grande Povo nunca abandonou, pese embora a descrença dos que a Esperança deixaram morrer, soterrados que estão na dialética retorcida do Finis Patriae ou nas gargalhadas pífias da indiferença, alheamento ou acédia – isso, sim, a chave mortífera do nosso Futuro.  “HISTÓRIA DO FUTURO” publicado em 1718, do Padre António Vieira é o livro que nos faltava.  Ele anuncia a madrugada irreal do Quinto Império, que não se cobre de nuvens nem de nevoeiro, mas de coragem, força e determinação, com que esta pandemia, por demais escalpelizada, venceremos, bem como outros males de que ainda padecemos. ( Uma sugestão, desajustada, mas uma sugestão:  Leiam no  caderno da Economia do Expresso o artigo CHINA:  A cidade-fantasma da Evergrande”

 

Outro assunto:  Não temos encontros em corpo e alma, mas de alma e ânimos bem animados estamos. Sei que algumas esposas nossas e maridos, colegas e amigos, passam um mau bocado no que respeita à saúde.  Infelizmente, o sofrimento atingiu-os os em cheio. É a gota do cálice que faltava!

 Proponho rezarmos todos esta bela oração de S. João Crisóstomo (séc. V)

   

 Assim fala o SENHOR:

 “ Eu sou pai, mãe, irmão. Sou a casa, alimento e vestuário, raiz e fundamento. Sou tudo o que desejas: assim não precisas de coisa alguma.

Eu serei também teu servo, porque vim para servir e não para ser servido.

Eu sou tudo para ti, e tu não sejas senão meu amigo.

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 Tu és tudo para mim:

 Irmão, herdeiro, amigo, parte de mim. Que mais podes desejar?

 

 João Lopes traçou estas linhas, neste Dia da Nossa Restauração.

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