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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Reflexão de verão

24.08.18 | asal

Pissarra.jpg«Quem sou eu»? -- pergunte ao dr. Google

 

Ao iniciar os estudos de filosofia aprendi que com Sócrates a Filosofia tinha entrado no sua idade antropológica e que uma das perguntas centrais era, a partir daí, «quem sou eu?

Ao entrar na universidade fui alertado para as dificuldades do conhecimento do outro. O outro é um sujeito, uma pessoa com liberdade, sentimentos, única e o que vemos dele não é o que realmente é, ou parece ser. Ao contrário das coisas, não o podemos manipular a nosso bel-prazer nem repetir as experiências quantas vezes quisermos. O outro é imprevisível e único. Também me desiludiram logo em relação ao conhecimento de mim mesmo. Só me mostraram, argumentativamente, o que eu já sabia. A auto-evidência da transparente consciência não resistia às objecções da introspecção e à omnipresença do inconsciente.

Há dias, ao responder a um convite, fui confrontado com um currículo e uma fotografia que não tinha enviado - nem me tinha sido pedida – e continha informações que não acho relevantes. Ao atentar na minha testa, desenhando a tão detestada pele de fruta passada que as mulheres abominam, o meu interlocutor apressou-se a esclarecer: fui ao Google.

Eu, que nunca lá postei nada de pessoal, dei comigo a pensar:

A minha Filosofia está passada. Hoje para muitas e muitos [só para estar de acordo com um disparate de um feminismo equivocado …] e, sobretudo, algumas e alguns, a pergunta - « Quem sou eu?» --tem uma resposta. Está no Google. Ele até me vai informando sobre o que me convém e devo comprar e consumir … Como o poderia fazer se não soubesse responder à pergunta: «quem sou eu?»

Mário Pissarra

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