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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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Problemas da velhice

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Meu caro Henriques, desta feita uma reflexão sobre os nossos últimos dias de vida. Sem darmos por isso, aí estão eles à porta, para serem plenamente vividos. A nossa condição de finitude, agora mostrada em carne viva, deve despertar-nos para a obrigação de vivermos a nossa sempre curta vida,  vida em plenitude, até ao fim. Dar Vida aos anos que nos restam - e serão sempre poucos - é apenas o que podemos ofertar a nós próprios. Animus Semper...até ao fim dos nossos dias.

Num amplo e cordial abraço. f. Beirão

 

 

 

Dar vida aos anos

Neste início de ano escolar, não são só as crianças que regressam às salas de aula. Nesta altura do ano, também é muito frequente as ditas universidades seniores ou outras iniciativas, convidarem os mais idosos para a frequência de algumas atividades vocacionadas para as suas idades. Lentamente, estes espaços têm-se espalhado pelo país fora, a todo o título louváveis. Mesmo nos tradicionais Lares Sociais de que tenho conhecimento, a oferta de enriquecimento cultural dos idosos, até a nível das novas tecnologias, tem-se desenvolvido cada vez mais. Iniciativas louváveis para quem quer dar cada vez mais vida, qualidade de vida aos idosos, cada vez mais a crescerem nas sociedades desenvolvidas. Na realidade, não interessa conseguirmos ganhar anos à vida, importa sim, sobretudo, dar vida aos anos que vivemos.

Todos nós, quando pensamos nos anos finais da nossa vida não queremos apenas viver mais tempo. No fundo o que nós desejamos com mais força, é vivermos com alguma qualidade de vida. Não sermos rejeitados pela família ou pela sociedade, mas sermos acolhidos em braços que nos continuem a dar o conforto e o bem-estar possível que cada ser humano deseja e merece.

Apesar da eterna juventude continuar a ser um sonho da humanidade, hoje, a publicidade invade a sociedade com essa quimera, tentando vender os produtos mais inúteis para tal fim. O certo é que, todos os dias ficamos mais idosos. E como diz o povo, “para novo, ninguém vai”. Os biólogos vão-nos avisando que “o corpo vai envelhecendo, de diferentes formas, de acordo com os fatores genéticos e ambientais”.

Certamente, que o desejo de vivermos para sempre, não é novo na humanidade. Já na história medieval encontramos descritas as lendas do Rei Artur em busca do Santo Graal, prometendo uma vida imortal e saudável àqueles que bebessem dessa taça que fazia maravilhas. Esse ainda permanece bem vivo nos nossos dias.

Porém o que constatamos sem margem para dúvida, é que temos nas últimas décadas, visto de uma quase fantástica, aumentar a nossa longevidade, sem paralelo na história da humanidade. De acordo com os últimos dados da OCDE, um português que nasceu nos anos vinte do passado século, tinha em média uma esperança de vida de 36 anos. Os que nasceram nas décadas posteriores, a maioria de nós, já contamos com uma média de vida de 80 anos. Um aumento de cerca de quarenta anos foi o que ganhámos devido ao evoluir da ciência médica e de melhoria nas condições sociais.

Hoje, a pergunta que se coloca já não é tanto aumentar os anos de vida. Uma boa parte das pessoas confessa que não lhe passava pela cabeça durar tantos anos, conquistando tantas décadas à média de vida, mas sobretudo dar vida aos anos que vivemos. Então levanta-se a questão que se começa a colocar cada vez mais, se o envelhecimento no nosso país é saudável, nos parâmetros europeus, ou incapacitante. Estudos recentes efetuados pela “Pordata” demonstram que os portugueses, equiparados aos europeus, perderam anos de vida saudável, face aos anos anteriores.

Estes dados preocupantes, tão desconfortáveis para os portugueses, merecem que os poderes políticos lhe prestem uma redobrada atenção, repensando o envelhecimento dos idosos do nosso país de uma forma cada vez mais séria. Pensa-se mais em lançar projetos e mais projetos, obras e mais obras, ficando as pessoas com mais idade, no esquecimento.

Geralmente, as pessoas não querem apenas viver mais anos. Mas com melhor qualidade de vida possível que as reformas de miséria não lhes permite. Lares e remédios inacessíveis não se encontram ao seu alcance. Já é tempo de repensar o envelhecimento em Portugal, de uma forma séria. Em maré de eleições, não basta visitar os lares, hospitais e infantários, tirando lindas selfis e espalhando afetivos beijinhos. Do que mais teremos necessidade é que não se esqueçam os acutilantes problemas com que se debatem os nossos idosos, a única faixa etária que está a crescer no nosso país, em inverno demográfico.

Certo é que, nas próximas décadas, a longevidade das pessoas veio para ficar. Quem planeia, adequadamente, as respostas a estes problemas que dizem tanto respeito aos novos como aos mais idosos? Urge dar Vida aos anos de vida.

florentinobeirao@hotmail.com

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