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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Prefácio do livro

13.11.19 | asal

É com muito gosto que podemos hoje publicar aquele que vai ser o Prefácio do livro sobre o Seminário Diocesano a publicar pelo amigo P. Bonifácio Bernardo. AH 

INTRODUÇÃO

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1 - Na história recente do Seminário Diocesano de Portalegre, o ano de 2019 tem de associar-se ao de 1949 e ao de 1919. São anos memoráveis: em Novembro de 1919, o Seminário episcopal, assassinado na hecatombe da revolução de 1910, ressuscitou, quase ocultamente, na Vila de Mação; em Agosto de 1949, foi comprada e registada a quinta do Bonfim, em nome do Seminário diocesano. Estamos em 2019, ano do septuagésimo aniversário do segundo facto, e ano do primeiro centenário do primeiro acontecimento. Estas efemérides passaram despercebidas. Neste livro pretendo relembrar toda a caminhada feita até à construção do Seminário Maior, na sede da diocese, projecto sempre alimentado pelos nossos Bispos: os seus escritos e acções testemunham-no com clareza. Só então se deu por reparada, de certo modo, a ruína da diocese, na sequência da dita revolução.

2 - Quis D. António Ferreira Gomes que o Seminário Maior de Portalegre perdurasse como testemunho memorável da celebração dos quatrocentos anos da criação desta diocese (1549-1949/50); como escola superior de formação do Clero, escola de que a diocese carecia havia quatro décadas; como monumento único dado a esta cidade episcopal. Em boa hora o pensou, mobilizando para o efeito a consciência e a responsabilidade de todos os diocesanos. Este desígnio, já antes alimentado e preparado por D. Domingos, foi convicta e activamente assumido pelo seu Sucessor, D. Agostinho Joaquim Lopes de Moura.

3 - Neste livro, apenas me deterei na preparação próxima e na construção do Seminário do Imaculado Coração de Maria, no período de 1948-1956 [1]. Porém, julguei necessária a contextualização que precedeu esta obra singular, pelo que referirei concisamente a acção de três dos nossos Bispos, no período de 1916-1948. Percorrerei, pois, a história imediatamente precedente, descrita no capítulo I (Por entre escombros).

Sublinharei a acção empenhada dos seus dois impulsionadores principais: D. António (1949-1952) e D. Agostinho (1953-1978) [2]. Citá-los-ei longamente, porque, melhor que redigir a partir dos seus textos, as suas próprias palavras comunicam mais intensamente os seus propósitos e vivências [3]. O capítulo II (Preparativos) e o capítulo III (Vamos construir o nosso Seminário) são dedicados à acção determinada de D. António, desde que nomeado Bispo Coadjutor (1948) até à sua despedida (1952). O capítulo IV (Queremos construir o nosso Seminário) e o capítulo V (Queremos terminar o nosso Seminário) relevam a acção eficaz de D. Agostinho (1953-1956). Darei especial realce às crónicas da construção deste Seminário; transcreverei as nótulas redigidas por quem viveu este projecto com entusiasmo contagiante e em contacto directo com a progressão das obras, semana a semana, e, lendo-as como foram escritas, experimentamos os seus próprios sentimentos; ilustrarei este período da construção com algumas fotografias, no anexo III [4], completadas pelas crónicas; complementarei esta história grandiosa com as listas de bolsas de estudo, evidenciando assim a generosidade heróica de tantos diocesanos, no apoio aos Seminaristas pobres e na restauração e sustentação do Seminário, em ordem à recristianização e renovação da diocese.

4 - À diocese de Portalegre-Castelo Branco, de modo particular ao Seminário Diocesano (Gavião, Alcains e Portalegre), estarei sempre grato pelo que sou e pelo que tenho trabalhado, como sacerdote, no seu território e também na Alemanha.

No Seminário Maior de Portalegre estudei dois dos três anos de Filosofia e três dos quatro anos de Teologia (1963/64-1968/69). Aqui leccionei e fui Prefeito durante cinco anos (1975/76-1979/80). Aqui tenho residido deste Outubro de 1984 até ao presente.

Sempre cultivei a minha gratidão e o meu amor ao Seminário (Professores, alunos, empregados, sobretudo Irmãs da Divina Providência e da Sagrada Família). Este livro é como que o pagamento de uma dívida. Tenho muitas outras recolhas sobre o Seminário diocesano, desde a sua abertura, em 1590, até aos dias de hoje.

Como eu, também as largas centenas de antigos alunos, sacerdotes ou não, têm manifestado sentimentos de sincera gratidão pela formação humana, intelectual, cívica, moral e espiritual recebida nesta Casa, milagre da Providência. Foi também pensando neles, beneficiários, e nos fiéis da nossa diocese (generosos benfeitores), que decidi escrever este livro.

 

Portalegre, Agosto de 2019.

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[1] José Maria Félix já escreveu sobre este Seminário, em Os nossos Seminários, p. 330-366 (desde a preparação até à inauguração). Também e sobretudo em DP, 72, nº 4432 (22.Outubro.1955).

[2] Sobre a acção de D. António Ferreira Gomes e de D. Agostinho Lopes de Moura, cf. José Maria Félix, Os nossos Seminários, p. 424-427 e 427-432, respectivamente.

[3] Acrescem outros três motivos: os leitores não têm disponíveis os documentos transcritos (razão prática); os documentos inteiros possibilitam uma leitura mais adequada da matéria tratada; tais documentos escapam assim ao perigo real do seu eventual desaparecimento.

[4] Cf. p. -------- (prelo).