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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Pobre interior do país

09.08.19 | asal

Agostinho Dias - 08/08/2019, in "Reconquista"

Agostinho Dias.jpegNa saga dos incêndios que todos os anos nos atingem, destaca-se a teia de negócios que andam à volta desta tragédia para o interior do país. Já não bastavam os negócios das aeronaves concorrentes a apagar fogos que todos os anos acaba em tribunal; agora descobrimos o negócio dos kits a acrescentar ao negócio dos fornecedores de fardas e material dos bombeiros, e as suspeitas de outros negócios que não são conhecidos. É muita gente a ganhar dinheiro à custa dos fogos e que por isso não estão nada interessados em que eles acabem. Quem sofre são as gentes do interior que veem arder as suas florestas e casas…

Não são, contudo, apenas os incêndios os inimigos de quem aqui sobrevive. Na semana passada, um grupo de agricultores da região centro manifestou-se junto ao Ministério da Agricultura por causa da praga dos javalis. Já destruíram o milho que tinham semeado e agora estão a destruir as uvas das videiras. Não vale a pena fazer vedações, pois eles furam por baixo delas. Há quem use perfume ou excrementos, há quem ponha rádios a tocar no meio do milho, mas nada os trava. Já não respeitam sequer os cães e dão-se ao luxo de comer a sua ração. São um atentado ao trânsito nas estradas provocando graves acidentes. Se juntarmos os texugos, os veados, os gamos, as raposas, os melros e estorninhos podemos dizer que é muita bicharada que os agricultores têm de governar, sem receber nada em troca.
Com incêndios e tanta bicharada a alimentar, não tarda a que todos tenhamos de fugir do interior, onde já não se pode viver.
agostinho.dias@reconquista.pt