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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

PARADOXOS

08.11.19 | asal

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Num país em grave declínio demográfico, um recém-nascido é lançado no caixote do lixo e é encontrado por um sem-abrigo.
Em 89.000 kms2 não haveria lugar mais acolhedor para o novo habitante? Em 89.000 kms2 não haverá um lugar mais acolhedor para um cidadão habitar?
Que raio de sociedade a nossa!
Quando tiver consciência do que lhe aconteceu à nascença, que pensará aquele cidadão? E que reflexão fazemos nós, agora?
Nada disto é novo. Relembro a “roda dos enjeitados” e os mecanismos de “protecção” ao longo dos tempos, especialmente nas épocas de crise, por parte de reis, igreja, misericórdias e municípios que criaram “juízes de órfãos” e pagavam a amas. Houve até um rei francês que determinou medidas especiais de protecção e educação para os rapazes abandonados que se tornavam nos melhores soldados do reino como forma de agradecimento.
Mas senhores! Isso era em tempos de antanho. No século XXI, em Portugal, num tempo de tanta prosperidade e contas certas, segundo o Governo, não seria possível fazer muito mais e melhor do que existe? Ficamos pelas palmadinhas nas costas e fotos presidenciais?
Que consolo!

António Manuel M. Silva

António Manuel M. Silva - Acabo de ter conhecimento, pela imprensa, que a mãe do recém-nascido abandonado no caixote do lixo, ela própria, também é uma sem abrigo. Que dizer? Que pensar? Já quase nada me espanta. Talvez perceba o quadro mental em que a senhora funciona: o seu MUNDO é a rua e o caixote do lixo a sua DESPENSA. Muita coisa me indigna! Adiante...