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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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Palavra do Sr. Bispo

O PAPA COM OS JOVENS1.jpg

«Francisco convidou-os a “falar com coragem” e a “escutar com humildade”, garantindo a cada um “o direito de ser escutado” e a todos “o direito de falar”.»

 

QUE OS ESPECIALISTAS LHE CALCEM OS SAPATOS

Ao longo desta semana, de segunda-feira a sábado, está a decorrer, em Roma, uma inédita reunião pré-sinodal. Participam trezentos jovens de todo o mundo como representantes de Conferências Episcopais, de movimentos e instituições, de dentro e de fora da Igreja, crentes e não-crentes. É mais um passo em ordem à preparação do Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” que vai ter lugar em outubro próximo. Lá estão três jovens portugueses: Joana Serôdio, indicada pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil e em representação da Conferência Episcopal Portuguesa. Tem 30 anos, um mestrado em Bioquímica, faz parte da equipa coordenadora dos Convívios Fraternos da Diocese de Coimbra e também da equipa do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil; Rui Lourenço Teixeira, nomeado pela Conferência Internacional Católica do Escutismo, a qual vai representar. Tem 30 anos, é médico e professor universitário, da Diocese de Setúbal. Colabora como formador de dirigentes nas equipas nacionais do Corpo Nacional de Escutas e tem representado este movimento na Conferência Internacional Católica do Escutismo; e Tomás Virtuoso, escolhido pelo Secretariado Internacional das Equipas de Jovens de Nossa Senhora. Tem 24 anos, está a completar a tese de mestrado em Economia Política Europeia e vai representar o movimento a nível internacional. É do Patriarcado de Lisboa e membro das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, onde tem assumido as mais diversas responsabilidades, tanto a nível local como a nível nacional. Faz parte da equipa de organização do Faith's Night Out. Todos os participantes foram também convidados pelo Santo Padre a participarem na Eucaristia do próximo Domingo de Ramos, Dia Mundial da Juventude.
Aquando da sua Viagem Apostólica ao Chile, em janeiro passado, encontrando-se com os jovens no Santuário Nacional de Maipú, um Santuário “que se levanta na encruzilhada das estradas entre o Norte e o Sul, que une a neve e o oceano, e faz com que o céu e a terra tenham uma casa”, Francisco, fez referência aos sonhos e às experiências que dali foram promovidas por Jovens “que souberam viver a aventura da fé”. A fé, disse, provoca nos jovens “sentimentos de aventura, que convidam a viajar através de paisagens incríveis, paisagens nada fáceis, nada tranquilas”. E logo acrescentou: “Exceto aqueles que ainda não desceram do sofá. Descei depressa! … Vós que sois especialistas, calçai-lhes os sapatos”.
Aqui lhes disse que convocara este Sínodo e este Encontro pré-sinodal, em Roma, com delegações dos jovens de todo o mundo, para os ouvir sem filtros: ”tenho medo dos filtros, porque às vezes as opiniões dos jovens, para chegar a Roma, devem passar através de várias conexões e estas propostas podem chegar muito filtradas, não pelas companhias aéreas, mas por aqueles que as transcrevem”. Por isso, “vós sereis protagonistas: jovens de todo o mundo, jovens católicos e jovens não-católicos; jovens cristãos e doutras religiões; e jovens que não sabem se acreditam ou não: todos. Para vos ouvir, para vos escutar diretamente, porque é importante que vós faleis, que não vos deixeis silenciar. A nós compete ajudar-vos, para serdes coerentes com o que dizeis”. E tudo isto porque “a Igreja deve ter um rosto jovem e, nisto, vós deveis ajudar-nos. Mas, é claro, um rosto jovem real, cheio de vida, não rosto jovem porque trocado, maquilhado com cremes rejuvenescedores; não, isto não serve, mas jovem porque se deixa interpelar do fundo do coração“.
Decorrido que foi já este tempo de preparação para o Sínodo, a Santa Sé estuda, agora, as propostas enviadas pelas Conferências Episcopais de cada país. São propostas que lhe chegaram através das Dioceses de todo o mundo e obtidas nas paróquias, nas instituições, nos movimentos e grupos de reflexão. Estuda estas propostas e também as mais de 221 mil respostas ao questionário que foi disponibilizado na internet, das quais cerca de 20% são relativas a não-católicos, mantendo-se ativo o sítio dedicado ao Sínodo dos Bispos, www.synod2018.va, e uma página na rede social: www.facebook.com/synod2018, bem como se pode acompanhar pelo Twitter e Instagram.
No Encontro que esta semana decorre em Roma, Francisco, no início dos trabalhos, partiu do princípio de que os jovens “têm de ser levados a sério”. Chamou a atenção para uma cultura que, apesar de “idolatrar a juventude”, “exclui muitos jovens” da possibilidade de serem “protagonistas”. Nesta extensa assembleia em que está representada uma “grande variedade de povos, culturas e religiões”, com crentes e não-crentes, Francisco convidou-os a “falar com coragem” e a “escutar com humildade”, garantindo a cada um “o direito de ser escutado” e a todos “o direito de falar”. Saudou a “força” que os jovens têm para “dizer as coisas”, para “rir e chorar”, enquanto os adultos se habituam, muitas vezes, a encolher os ombros e a dizer que “o mundo é assim”. Quis acentuar que “demasiadas vezes, se fala dos jovens sem os interpelar”, se evita o encontro “cara a cara” com eles preferindo-se discursos abstratos, manifestou-se contrário a quem pensa que é preciso defender “uma distância de segurança” face aos jovens. Precisou também que “a juventude não existe, existem jovens, histórias, rostos”. E até provocando o riso na assembleia, também admitiu que estes, os jovens, nem sempre são o “prémio Nobel da prudência”. Referindo-se ao nível do desemprego juvenil e à marginalização dos jovens da vida pública, afirmou que eles são obrigados a “mendigar ocupações” que não garantem um futuro, o que constitui “um pecado social”, a sociedade “é responsável por isto”. Não deixou também de reafirmar que temos “de aprender, na Igreja, novas formas de presença e de proximidade”, de “ousar caminhos novos”, de, sem medo, “sair para as periferias existenciais” sem ceder ao “veneno” da “lógica do sempre se fez assim”.

Antonino Dias
Portalegre, 23-03-2018

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