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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Os 20 anos do 11 de setembro

18.09.21 | asal
Amigo e companheiro Henriques
Desta vez revisitei o dantesco momento da destruição das Torres Gémeas de Nova Iorque. Como Babel, a história repetiu-se. A tragédia ficará nas nossas memórias, como algo de medonho que presenciámos quase ao vivo.
Onde pode chegar a maldade dos homens...um mistério que desafia a humanidade. Construir o diálogo entre Civilizações é o urgente desafio para o qual todos somos convocados.
Na Alegria de vermos a pandemia menos feroz e limitativa das nossas vidas, para o nosso generoso António e para os nossos amigos do ANIMUS...aquele abraço apertado de sempre. Paz e Saúde.

Florentino_beirao.jpgF. Beirão

O mundo jamais foi o mesmo
 

Hoje não haverá ninguém, com mais de 30 anos, que não se lembre onde se encontrava quando ocorreu na América o ataque terrorista às Torres Gémeas em Nova Iorque e ao edifício do Pentágono em Washington, efetuadas por quatro aviões suicidas, em 11 de setembro de 2001.

Estes dois edifícios eram um dos maiores símbolos de Nova Iorque e o Pentágono a sede do Departamento da Defesa da USA. Atacar estes edifícios era, na mente dos suicidas, atacar simbolicamente, o poder do país mais rico do mundo.

 A notícia foi tão inesperada e chocante que rapidamente correu mundo, transmitida quase em direto pelas televisões, numa manhã radiante de sol. Ninguém jamais esqueceu as fumaradas e, posteriormente a derrocada das Torres de 110 andares, com vítimas inocentes a lançarem-se desesperadamente dos andares fumegantes e em chamas, saltando para a sua própria morte. Imagens terríficas e arrepiantes, transmitidas em direto pelas televisões não esquecem.

Mas passemos à origem, aos números, aos impulsionadores destes ataques ao coração da democracia ocidental, não olvidando ainda as consequências deste ato terrorista que mudou o mundo unipolar, centrado no poderoso império americano.

Quanto à sua origem, é dado como certo que tudo foi planeado ao pormenor, pela equipa do muçulmano radical Osama Bin Laden, nascido em 1957, herdeiro de uma fortuna quando jovem se encontrava deslocado na Arábia Saudita. Mais tarde, acabou por viver no Afeganistão, hoje em ruínas, passando depois para o Sudão, onde bebeu a ideologia da violência, através da Jihad, guerra – santa que garantia, após a morte, um lugar no paraíso, junto a Alá. Seria esta crença que o acompanhou no restante tempo da sua vida, até so seu assassinato em dois de maio de 2011, efetuado por militares americanos, no seu refúgio em Abbottabad, no Paquistão onde vivia escondido, com a cabeça a prémio. Odiando a Civilização Ocidental, tudo fez para que fosse vencida, graças à guerra – santa e aos ataques terroristas suicidas, estendidos a vários países da Europa e de África, como o do Quénia e o da Tanzânia. Espalhar a morte, o terror e o medo no Ocidente, eram os seus grandes objetivos.

Em 1998 publicou um manifesto onde se podia ler: “matar os americanos e os seus aliados, tanto civis como militares, é um dever individual de cada muçulmano”. Nesta altura, Bin Laden já estaria ligado e chefiava as células terroristas da Al Qaeda.

Se bem o escreveu, melhor o praticou nos Estados Unidos e noutros não muçulmanos.

Quanto às vítimas, só em Nova Iorque, atingiram o elevado número de 2.979. Os seus nomes encontram-se hoje inscritos num grandioso memorial, com espelhos de água, erguido no mesmo lugar onde se situavam as Torres Gémeas que se eclipsaram com os atos terroristas do 11 de setembro.

Logo ao lado, existe hoje um museu onde estão expostas algumas das memórias terríficas destes atentados, em fotos e restos de roupas e objetos queimados pelas chamas devoradoras. Recentemente, ali foi também inaugurada uma igreja ortodoxa para, em silêncio, se recordar e meditar.

Esta tragédia, como se sabe, conseguiu dividir o mundo em dois blocos inimigos, substituindo os tempos da guerra-fria. Os bons e os maus, num mundo maniqueísta em que as relações entre as Civilizações se tornaram difíceis ou quase impossíveis de uma relação saudável e profícua. Baseados neste princípio, hoje podemos entender melhor a vingança da América sobre alguns povos muçulmanos, tentando reparar estes ataques. Dentro desta lógica, acabaram por invadir de um modo brutal e mal explicado o Iraque, onde supostamente haveria armas nucleares, o que nunca foi provado, e o Afeganistão, país onde se acolhiam células terroristas. O saldo destas brutais invasões acabaria por ser nefasto para a América que perdeu muitos milhões de dólares, vidas humanas e credibilidade internacional.

Outra das consequências destes atentados foi a restrição das liberdades individuais. O medo instalou-se de tal modo no quotidiano que todos passaram a desconfiar de todos. O terrorista suicida pode estar ao nosso lado e estoirar uma bomba em qualquer momento. Quem viaja de avião sabe bem do que falo. Se Bin Laden foi assassinado pelos americanos, não podemos olvidar que novas células e fações terroristas existem e florescem no planeta. Por isso, o mundo de hoje jamais voltou a ser o mesmo.

florentinobeirao@hotmail.com

 

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