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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Olhem como isto vai...

25.10.19 | asal

Jorge Calhas2.jpg

Conta o Jorge Calhas, ao meio desta foto. AH

 

Ladrão de centro comercial virou intelectual

Aqui há mais de um mês num centro comercial que não identifico aconteceu-me num ápice ficar privado do telemóvel no espaço de 2 minutos. Foi o tempo de recolher um café já pago, quando fiz a colheita do pedido onde se incluiam algumas peças separadas, como a tão saborosa meia de leite bem escurecida atalhada com uma Padeira quentinha com queijo. Colocar tudo, no tabuleiro e dirigir-me à mesa para usufruir sem incómodos da comida da manhã. Assim feito... regresso de tabuleiro com os diferentes manjares já consumidos para o balcão a fim de pedir a bica "já paga". Sento-me na mesma mesa, procuro o telemóvel que ficara no local enquanto fora ao balcão, e aflição minha; eu "q'a do telemóvel?" Pergunto a toda a gente da zona onde o telemóvel desapareceu, mas ingloriamente, não havia rasto do telemóvel. Alertei a segurança do Centro Comercial sem qualquer consequência maior. Fui às firmas de telemóveis representadas naquele Centro Comercial, ali em frente ao café. Expus a situação e pedi conselho. Atitude técnica recomendada neste tipo de situação é:
- Mandar bloquear o telemóvel pelo fornecedor de serviços
- destruir o software instalado
- adquirir outro cartão SIM e mandar instalar o número do telemóvel que acabara de ser roubado.
- opcional: fazer queixa na polícia.
Adotei todas as estratégias recomendadas pelo fornecedor de serviços do telemóvel inclusive acabando por mandar fazer a destruição do software em uso no telemóvel.
Foi um prejuízo muito grande pois tratava-se de um bom telemóvel da ASUS e acabei adquirindo um Huawei cuja tecnologia desconhecia.
Tratava-se de um Huawei P Smart 2019 POT LX-1
Esta cena foi muito comentada por mim e muitos amigos meus, tendo passado ao passado varrida sem preocupações das verdadeiras emergências presentes
Até que hoje surge um caricato.
Fui ao mesmo café onde me fora roubado há cerca de 2 meses o telemóvel indo com um livro intitulado "As Classes Populares" da autoria de Francisco Louçã, João Teixeira Lopes e Lígia Ferro. Ia bem cioso e alerta sobre a única peça solta que ia comigo que era exatamente o livro. As operações:
- colheita ao balcão do pedido que incluia a tão saborosa meia de leite atalhada com um croissant francês com fiambre.
- Colocar no tabuleiro e dirigir-me à mesa para usufruir sem incómodos da comida da manhã. Assim feito... regresso ao balcão para pedir a bica "já paga" transportando o tabuleiro já convenientemente livre dos alimentos consumidos. Deixo o livro sobre a mesa bem à vista. Não dá muito jeito levar o livro e o tabuleiro ocupado com as diferentes peças de alimentos. Mas por uma questão de comodidade para o trajeto entre a mesa onde ficou o livro, e o balcão onde iria pegar o café, por uma questão de comodidade de transporte dos alimentos pedidos, conveniente e saciosamente degustados, foi deixado o livro sobre a mesa ficando sob persistente e continuada prescutação visual não fosse o diabo tecê-las. Na mesa onde me instalara, o espaço onde ficou o livro esteve em permanente vigília. Encontrado poiso para o tabuleiro certifico-me bem do livro na mesa de onde viera para levar a bica e deixar o tabuleiro. Evidente que lá estava o livro sobre a mesa acenando-me. Olho melhor as prateleiras para arrumo dos tabuleiros e encontro aquela que melhor se adaptava ao arrumo do tabuleiro. Coloco o tabuleiro e num ápice levanto a cabeça procurando o livro com os olhos. Faço um "O" com os lábios, espantado pela minha premonição que estava certa. O LIVRO DESAPARECEU. NÃO ESTAVA LÁ!!! ALGUÉM O FEZ DESAPARECER EM DEZ SEGUNDOS DA MESA DE REFEIÇÃO. EM TOM DE VOZ UM POUCO ALTERADO DIRIJO-ME A ALGUNS CLIENTES PRESENTES NO ESPAÇO QUE MANIFESTARAM SURPRESA, NENHUM SABENDO INDICAR COM QUE CERTEZA FOSSE O ACONTECIMENTO. Dirijo-me ao balcão do estabelecimento indagando sobre a entrega de um livro de autoria do Francisco Louçã As Classes Populares. Ninguém sabe fosse o que fosse. Eu vou comentando que isto está perigoso, no outro dia roubaram-me o telemóvel, hoje numa fração de 10 segundos desaparece um livro que exige algum conhecimento para ser assimilado. Fico a debulhar com o ambiente especulações aleatórias vocalizadas sobre o sucedido e a melhor explicação que encontro é que o roubo neste local parece ter virado intelectual. Parece que há uma procura por livros. Na minha ingenuidade pensei para comigo que a questão livresca fosse um problema de países de elevado índice de literacia. Mal adivinhava eu que também naquele local "a "cavalo" dado não se olha o dente".
Pois o epílogo desta história é feliz. Vem um segurança na minha direção, dirijo-me a ele e explico o sucedido. Envia-me para o gabinete dos seguranças do centro e que aguarde por ele. Após algum tempo de espera, lá aparece. Ele trazia na mão o meu livro que hoje pela primeira vez tinha sido despido de algumas letras que tinham sido aviadas para o meu cérebro. Na conversa que mantive com o Senhor expliquei-lhe que livro era. O seu título, os seus autores. Tudo confirmado pelo segurança que me explicou ter levantado o livro da mesa por o ter encontrado lá abandonado, e por uma questão de segurança e proteção da minha propriedade. Expliquei que o livro esteve fora do alcance de identificação pelos olhos no máximo 10 segundos. Bem! dizia eu. Desta vez há um final feliz. O livro não foi roubado.

Jorge Calhas