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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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O sidonismo, 100 anos depois (1)

Meu Bom Amigo
Aí te envio mais uma humilde colaboração. Tu dirá da sua pertinência. Como temos amigos que gostam de História--alguns até são historiadores ...Olá Zé Pedro e Xico Cristóvão! - , é bem possível que estes temas lhe aticem os neurónios. Num país que se diz de brandos costumes, temos na nossa  história recente dois episódios que contradizem esta falsa tese. Já lá vão, só no séc. passado, o Rei D. Carlos e Sidónio Pais. Salazar safou-se por pouco. Acabamos por concluir que a nossa gente também é capaz de reagir como os outros povos. Se abusarem da sua paciência, a revolta pode encontrar-se ao virar da esquina. Convém não abusarem o Zé. Em maré de greves - elas são tantas - o caldeirão começa já a

Florentino1.jpegfumegar... Um Bom Natal para todos os nossos Amigos do Animus. Sobretudo, para quem, todos os dias nos alimenta com a sua presença. Nem que seja já de babete... Cristus natus es nobis....venite adoremus.... f. b.

 

A construção de um Presidente-Rei

Sidónio Pais, um desconhecido professor universitário, militar, republicano sem partido, maçónico e embaixador em Berlim, nasceu em Caminha em 1872 e conquistou o poder, em oito de dezembro de 1917. Um ano após, foi assassinado na estação do Rossio, em Lisboa, em cinco de dezembro de 1918. Este centenário convida-nos a revisitar este conturbado e sangrento período da nossa história recente.

Portugal, em 1917, ano das visões de Fátima, encontrava-se mergulhado na 1.ª Guerra – Mundial, com 50.000 homens a vegetar nas perigosas e imundas trincheiras francesas. Em Lisboa, em quatro dias, as morgues de Lisboa encheram-se com uma centena de pessoas. Este foi o preço a pagar pela derrota do Partido Republicano Português (PRP),dirigido por Afonso Costa, destronado pelos apoiantes revolucionários de Sidónio Pais. Este militar, embora desconhecido do povo, apenas um ano no poder, conseguiu conquistar um povo que estava desacreditado com a elite política republicana, demagógica e anticlerical. Sidónio Pais, pelo seu lado, pela mão do moderado republicano Machado dos Santos, foi-se tornando uma figura mítica, um messias salvador da Pátria. Para trás, ficava a sua vida privada anterior, ensopada no vício do jogo a dinheiro e em namoros extraconjugais.

Convocadas as eleições para a presidência da República, em 28.04.1918, os votos deram-lhe a vitória, passando a acumular a chefia do Estado e a liderança do Governo, de um modo absoluto. Uma maioria do povo, imerso numa sociedade radicalizada e instável, começou a admirá-lo, como sendo um homem “teso e valente”, com carisma para pacificar o país. Estas supostas qualidades, logo se manifestaram na decisão de Sidónio decidir não enviar mais tropas (CEP) para a frente da Guerra. A maioria das famílias e muitos dos oficiais do exército, fartos de uma Guerra mortífera, bateram-lhe palmas e agradeceram-lhe esta opção política.

Com os militares, os republicanos moderados, os monárquicos e os anarquistas do seu lado, logo que foi eleito Presidente da República, apostou por conquistar as graças do povo. Para tal, desenhou uma estratégia muito eficaz que consistia em fardar-se de militar a rigor e misturar-se com a população, montado a cavalo, com a espada desembainhada. Deste modo, se ia mostrando nas ruas e nos espetáculos públicos. Tal encenação provocou o delírio da populaça, sobretudo da classe feminina, e das inocentes criancinhas. Deste modo, foi aumentando, dia após dia, os banhos de multidão que o envolviam e o deixavam empolgado. Demagogicamente, condessas e duquesas foram também chamadas por Sidónio, para oferecer alimentos a um povo faminto e doente. No mesmo propósito, inspirado no nacional -socialismo alemão, se insere a distribuição da famosa “sopa dos pobres”, oferecida à indigente população de Lisboa e também as suas visitas aos hospitais e cadeias. Grato também se mostrou o clero, jubiloso pelo espírito de tolerância instaurado, inédito desde 1910. Mesmo muitos velhos e novos republicanos, como António Sérgio e numerosos monárquicos, foram aderindo a estes novos tempos políticos, tidos como “mais honestos e menos sectários”. Também vários jovens militares “os cadetes de Sidónio” foram chamados para ministros, apesar das críticas dos seus opositores. Por sua vez, não deitando a toalha ao chão, Afonso Costa e Bernardino Machado, colunas do velho republicanismo, mantinham-se exilados, espreitando o seu regresso ao poder. Por seu lado, Sidónio Pais acabaria por assumir que o seu movimento pretendia provocar uma autêntica revolução no país para executar um programa que, segundo ele, pretendia “combater os erros e os processos viciosos que minavam os regimes anteriores e os conduziram à sua queda”. Agora, “propunha-se instaurar uma espécie de feudalismo militar, feito de laços pessoais, fora de partidos e organizações”, opina o historiador Rui Ramos.

Porém, a realidade política do país continuava a sofrer dos males anteriores. Instabilidade governativa, com quatro ministros do Interior, quatro da Justiça, e outros tantos da Guerra e das Finanças, em apenas um ano. O poder acabou por se manter concentrado nas mãos de Sidónio, apoiado pela força militar. Esta situação acabou por produzir um ambiente de incerteza e de contínuas conspirações, apelando-se à restauração de um novo regime monárquico ou ao regresso à anterior autocracia republicana. Chegados ao final de 1918, longe da paz e da tolerância prometidas, o país regressava ao estado de sítio, com centenas de presos políticos. Este ambiente escaldante acabaria por ser fatal, como veremos.

florentinobeirao@hotmail.com

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