Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

O populismo e as democracias

Meu caro Amigo

Florentino1.jpeg

No mundo que nos é dado viver, o joio cada vez é mais abundante nas redes sociais. Fake news e meias verdades espelham-se pelos ares, em ventanias agressivas e avassaladoras. Os seus resultados aí estão a dar os seus maléficos frutos. Da USA ao Brasil, atingindo a UE. Os populismos enganadores medram a olhos vistos.  Se é pela Verdade que o mundo se pode salvar, palavra do nosso Mestre, mal anda o mundo se persistir em prestar veneração ao pai da mentira - os demónios desta terra. Uma questão tão séria que não podemos deixar de a denunciar e lançar alertas para que nos blindemos contra tais vírus capciosos e enganadores dos tolos.

Construir um Reino de Verdade neste mundo torna-se hoje imperioso, como nos recordou ontem o Evangelho. O meu alerta de hoje vai neste sentido. Abraço para ti e para os que o ANIMUS anima e une, diariamente.  f. beirão
 

Confundir para reinar

 Temos assistido nos últimos tempos, à multiplicação do número de países onde o populismo vai crescendo. Lentamente, se vão conquistando eleitores intoxicados por mensagens simples e bombásticas, baseadas em “fake news” – notícias falsas - capciosamente elaboradas, para enganar ou confundir ignorantes ou mal informados. Todos conhecemos a estratégia destes desonestos políticos. Enviam falsas verdades aos milhares, através dos novos meios de comunicação, tentando que elas se transformem em verdades.

Os campeões deste tipo de populismo são conhecidos: Trump, Putine, Netanyahou, Le Pen, Salvini, Orban e Bolsonaro. Na Europa, nos Estados Unidos e ultimamente no Brasil, este fenómeno populista tem-se vindo a alastrar, como uma mancha de azeite. Todos os referidos governantes têm manipulado e utilizado falsas notícias para conquistar ou manterem-se no poder. Falar verdade deixou de ser a sua normal maneira de estarem na vida política.

O velho sonho de uma mundialização feliz, fundada na livre circulação de saberes verificados, está-se assim a transformar num pesadelo, sendo os factos rebaixados ao lugar de opiniões. Estas como por magia, passam a ser as verdades alternativas. É com o que deparamos, quando os populistas xenófobos, intolerantes e racistas fecham fronteiras e prometem eliminar da sociedade todos os que supostamente, atrapalham a vida dos países. Na lista dos descartáveis, encontram-se os emigrantes, os homossexuais, os adversários políticos e os supostos malfeitores. Se com Hitler, eram sobretudo os judeus, comunistas e ciganos a eliminar, agora a lista dos populistas inclui muitos mais. Estes, a crescerem em alguns países, colocam-nos a seguinte interrogação. Como se chegou tão rapidamente a esta complexa e nefanda situação? As respostas podem diferir de país para país. Mas há algumas razões que julgamos ser transversais e fáceis de elencar. Iniciemos a listagem pela globalização que tem produzido imensa pobreza no mundo, embora se tenha verificado, em alguns países pobres, melhores níveis de vida. Ligado a esta causa, o desemprego galopante de tantos que vão sendo marginalizados pelo sistema capitalista, onde só o lucro parece contar. Lançados na pobreza e no desemprego, cresceu a marginalização social e a emigração, causadoras de radicalismos. Deste modo, se foi criando uma sociedade violenta onde o crime, a insegurança, os homicídios e os roubos se tornam frequentes. Neste caldo social, torna-se fácil aos populistas prometerem colocar um ponto final nesta problemática situação. Outra das razões poderá ser o desfasamento social entre um pequeno número de pessoas muito ricas e a multidão de pobres, marginalizados em campos de refugiados, sem o mínimo de condições de vida. Acrescentemos ainda outra, muito comum nas democracias formais. O desfasamento entre os eleitores e os eleitos. Em vez dos políticos servirem o bem comum, com dignidade e ética, alguns vão-se aproveitando dos seus chorudos lugares para proveito próprio, por vezes, através de subornos e corrupção. O seu enriquecimento rápido, através de meios ilícitos, naturalmente provoca revolta. O cidadão vota num partido para melhorar a sua vida e dá-se conta que pouco ou nada muda a seu favor. Face a tudo isto, a onda do populismo tem vindo a alastrar em vários países, podendo colocar em risco as suas democracias.

Antes que seja tarde, torna-se assim urgente reagir aos populismos que têm vindo a conquistar o poder através do medo e invenção de notícias falsas. Impõe-se assim aos democratas, o imperioso dever de defender a democracia, onde a paz, a tolerância, a liberdade de pensamento e a convivência entre todos, sejam conquistas a defender sempre. Importa pois que o jornalismo sério se sobreponha às falsas notícias com que os populistas nos procuram enganar. Como sabemos, o emotivo e o irracional populismo tornaram-se os grandes inimigos das democracias, lançando no ar a confusão e a mentira que hoje se espalham tão rapidamente. Na verdade, como refere o pensador Annah Arend, “um povo sem capacidade de pensar e julgar, não pode ser livre”. E acrescenta “se todos temos sede da verdade, a desregulação do mercado da informação, a multiplicidade dos emissores, a ausência do escrutínio e da hierarquia das fontes, criaram um mundo de desconfiança à volta das instituições e uma sombra na vida das democracias”. Deste modo, se prefere o parecido ou semelhante, à verdade e à realidade dos factos. Intoxica-se para se poder reinar.

florentinobeirao@hotmail.com

Mais sobre mim

PORQUÊ

VAMOS COMEÇAR

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Links

  •  
  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D