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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

O PELOURINHO DE PENHA GARCIA

01.03.20 | asal
UM SÍMBOLO DA AUTORIDADE

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Quem aqui reside conhece bem esta praça, passa indiferente a este símbolo do poder, mas há visitantes que admiram e fotografam todos os pormenores do nosso pelourinho. Porque aqui e neste lugar aconteceu história, e sendo Penha Garcia um couto de homiziados, estes asilados, estavam sujeitos às leis do Reino com todas as suas consequências. Contudo, eram estabelecidas restrições e a construção das suas casas teriam de estar dentro da cerca amuralhada.
Este monumento, erguido em Penha Garcia no reinado do rei D.Sebastião em 1557, testemunha a importância que a aldeia já tinha naquela época, é hoje um imóvel de interesse público, classificado, e em muito bom estado em relação a outros que se encontram pelo país, vandalizados e quebrados.
Olhando para a sua construção, dificilmente se consegue ler as inscrições do capitel, mas destacam-se dois escudos, um régio e outro decorado com cinco flores de lis e no topo do capitel, tem uma grimpa em ferro, com uma esfera armilar, uma cruz e vestígios de um catavento.
Era aqui a praça central da aldeia, talvez o largo mais largo da povoação e seria aqui o lugar de muitos encontros, muitos protestos e de lágrimas derramadas.
Os pelourinhos eram o símbolo da autoridade e havia autonomia para julgar os delinquentes que ali eram expostos para a vergonha pública, amarrados e açoitados, consoante a gravidade do delito e dos costumes da época.
E quanto mais longe a localidade estava da capital, os pelourinhos multiplicavam-se por toda a região interior da Beira, e por isso, ainda encontramos estes monumentos em muitas aldeias e vilas da região.
A pena de morte, sentença capital, era aplicada na forca colocada fora da povoação num ponto alto e bem visível funcionando como penalizadora e dissuasora, mas deixaram marcas toponímicas nas localidades onde estavam inseridas e é vulgar encontrar-se, largo do pelourinho, da praça ou rua da forca.

Mas para além do simbolismo do poder autonómico, o pelourinho era local de proclamações e anúncios, exposição de malfeitores e criminosos, flagelações, mas não de penas capitais.

Estes monumentos deixaram más recordações nas populações e quando chega o liberalismo, já no século XIX, muitos foram destruídos, eram mal compreendidos e confundidos com a missão das forcas. Era uma colagem negativa à morte, às torturas e exposições e os destruidores lançavam sobre os pelourinhos uma aversão e ódio que os levava à destruição. Por isso, aos olhos dos liberais, estes monumentos deixaram de ter sentido e eram uma afronta aos novos poderes. Este ódio já vinha de França e entre nós, também já se desenvolvia esse rancor.

Pelourinho P.Garcia.jpg

Por isso, este património cultural passou a ser votado ao abandono, sem conservação, delapidados e reduzidos a cacos, utilizados para ombreiras de portas ou calcetar ruas.

Muitos eram monumentos belos, muito bem trabalhados, dignos de ser observados, peças únicas e que acabaram no silêncio.
E o dever é de todos, preservar os monumentos antigos, aqueles que ilustram e certificam a verdade da nossa história.
João Pires Antunes
 
 
foto: DGPC

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