Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

O país espera “mais e melhor”

01.11.19 | asal
Caríssimo Henriques
 
Neste Dia de Santos, com uma grande Feira em Alcains, ainda me sobrou um pouco de tempo, para visitar os meus amigos do ANIMUS. Gente Boa que tudo nos merece.
Desta vez virei-me para o estado em que se encontram dois pilares da nossa via social: a Saúde, o melhor bem das nossas vidas e a Educação, base da socialização e  desenvolvimento dos povos.
Nunca será demais o que o país venha a investir, com critérios de uma boa gestão, nestes dois pilares.
Com um agradável sabor a castanha assada e pinga de uma doce jorpiga, abraço-te cordialmente e a todos os que nos acompanham.
F. B.

Florentino2.jpg

 

Saúde e Educação doentes

 

Dois graves acontecimentos polarizaram a atenção do país, nestes últimos tempos. Um, ligado à má prática da medicina. O outro, relacionado com a problemática da Educação. Duas áreas sensíveis e da máxima importância, onde todo o investimento é sempre diminuto, face às necessidades, em contínua evolução.

Comecemos por recordar um caso recente, insólito e gravíssimo, ocorrido com o médico Artur Carvalho que, ultimamente, se tornou, por más razões, o centro das atenções da comunicação social. Nada menos, do que não ter detetado numa ecografia que fez a uma grávida, as gravíssimas deformações de que era portador o seu bebé que nasceu sem olhos e sem parte da cabeça. Grave é ainda o facto deste médico, durante vários anos e com queixas contínuas, ter continuado a asneirar e a manter-se na sua atividade, sem que fosse responsabilizado por anteriores práticas médicas problemáticas. A meia dúzia de queixas anteriores, de que já tinha sido alvo, foram caindo em saco roto, deixando-o à solta, na sua prática negligente e irresponsável. O que esta criminosa situação veio a revelar foi que, impunemente, poderá haver médicos que andam por aí a exercer a sua nobre profissão, sem que sejam responsabilizados pelos atos perniciosos que praticam. Desta feita, nada menos do que seis anos. Acresce ainda que este obstetra é sócio de uma clínica particular, com acordo com a Administração de Saúde. Pior ainda. Por ambição como alguns dos seus colegas, saltitando de lado para lado, despacham os doentes como quem, apressadamente, come uns tremoços numa esplanada.

 Uma ecografia que necessita de 30 minutos para ser analisada com cuidado, ter sido despachada em 10. Como diz o povo, “depressa e bem, não há quem”. Tratando-se da Saúde das pessoas, chega a raiar a esfera do criminoso. Como recomenda ainda a sabedoria popular, “com a Saúde, não se brinca”.

Com uma deficiente vigilância do Ministério Público e com a lentidão vergonhosa dos processos à espera de julgamento, nos quais numerosos médicos são acusados, os casos vão-se arrastando impunemente.

O novo e dilatado Governo, acabado de ser empossado pelo Presidente da República, terá muito que cuidar desta área, se quiser ser digno dos votos que o povo lhe deu nas recentes eleições, onde foi prometido solenemente, “mais e melhor”.

A vida e a saúde, senhores governantes, não podem estar à mercê da disponibilidade da Ordem dos Médicos que deverá arrumar a sua casa para que, casos como este, jamais se possam vir a repetir. A prioridade do primeiro-ministro António Costa virada para a Saúde, não pode ser uma vã promessa. Cumprir os programas eleitorais deverá ser uma exigência de uma democracia madura.

Outro dos assuntos quentes teve a ver com a recente agressão de um professor a um aluno. Na realidade, a indisciplina e a violência nas escolas, infelizmente, são também temas que, periodicamente, vão sendo notícia, relativamente ao ambiente que se respira no meio escolar.

Quanto a nós, a desmotivação de muitos professores e de uma grande parte dos alunos que se encontram envolvidos no ato do ensino-aprendizagem, será uma das grandes causas deste mal- estar. Sem o mínimo de disciplina e de empatia entre alunos e docentes, torna-se irrespirável o ambiente de um trabalho - sempre exigente - que deve ocorrer na sala de aula. Claro que não é fácil. Filhos de muitas mães, como se costuma dizer, o professor tem que mostrar a sua autoridade - não autoritarismo – para que se crie um ambiente favorável entre todos.

Quando isto não acontece, como foi o recente caso do professor que agrediu um aluno, estremece o Carmo e a Trindade. Pais acusam o professor pela agressão ao filho. Sindicatos criticam o ministro da Educação Tiago Brandão - agora reconduzido - por não condenar a violência contra os professores. Acrescenta ainda, segundo a Fenprof, este ministro ser rápido a condenar a violência dos professores, mas quando acontece o contrário, nem uma simples palavra. Neste caso, como é público, tratou-se de uma agressão de um docente de Tecnologias e Comunicação na Escola Secundária D. Leonor em Lisboa, a um aluno na sala de aula. De imediato, o professor foi suspenso de exercer a sua atividade. Dois pesos e duas medidas acusa o Sindicato. Face a estes casos recentes, o mal-estar social na Saúde e na Educação merece “ mais e melhor”.

florentinobeirao@hotmail.com