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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

O novo desafio do Papa Francisco

18.10.20 | asal
Meu caro Henriques

Florentino4.jpgAs minhas saudações amigas.Gostei muito das desafiadoras reflexões do teu Bispo - que muito admiro - no Santuário de Fátima, colocando o papel da Mulher na vida da Igreja, dando-lhe mais responsabilidades pastorais, aos diversos níveis, é de louvar e bater palmas.

Olha, António, desta vez trago para reflexão algumas palavras do Papa Francisco, rebuscadas na sua última admirável Carta Encíclica.
Um documento que, nas palavras de alguém, pode ser já o seu Testamento, uma vez que junta nele todas as grandes linhas do seu extraordinário e original Pontificado. Luz que deve iluminar este nosso mundo, repleto de tantas incertezas e crueldades.
Num abraço forte e até sempre. Saúde em abundância. 
Florentino Beirão

 

Globalizar a Fraternidade Social

 

Na sua Carta Encíclica “Fratelli Tutti” dada a conhecer no dia quatro deste mês, o fecundo e desafiador Papa Francisco veio mais uma vez lançar um forte apelo aos católicos e aos homens de boa vontade, para a urgente necessidade de se construir, globalmente, uma humanidade fraterna.

A nova Encíclica começa por chamar a atenção para os obstáculos que hoje se colocam à humanidade, nomeadamente, os ideológicos que hoje grassam em vários países, onde os nacionalismos de exclusão, bem como os populismos desbravados, tentam impor-se aos cidadãos, para chegar ao poder.

As consequências destas correntes de pensamento têm implementado medidas políticas que tentam excluir todos aqueles emigrantes que procuram outros países, para fugirem dos seus, mergulhados em pobreza extrema e em permanentes guerras mortíferas.

Face a esta constatação, esta Encíclica exorta os poderes públicos para a construção de uma sociedade onde a inclusão dos excluídos seja potenciadora de uma mais - valia para os países que acolhem os emigrantes e refugiados. Pois estas populações, segundo este documento, são também portadoras de valores culturais e económicos, que trazem consigo. Deste modo, a riqueza e a singularidade de cada pessoa e de cada povo pode ser salvaguardada neste mundo global, onde todos devem ter o seu lugar na construção de uma fraternidade universal.

Reforçando este desafio, o Papa apela a todos para que aprendam “a olhar para si mesmo, do ponto de vista do outro, de quem somos diferentes”. Deste modo, adverte para que “cada um poderá reconhecer no outro as peculiaridades da sua própria pessoa e cultura, as suas riquezas e os seus limites”.

O documento refere ainda as causas e consequências do complexo fenómeno das migrações, presentes em todo o mundo, mas sobretudo em África e no Médio-Oriente, fruto dos seus longos conflitos, que têm espalhado o terror e a miséria nas populações. A este propósito, a Encíclica Papal reflete sobre a perspetiva da Justiça Social, à luz do princípio do destino universal dos bens, tantas vezes ensinados no conjunto de toda a Doutrina Social da Igreja, sobretudo, desde o Papa Leão XIII.

Com ênfase, o Papa Francisco mais uma vez deixa bem claro na sua Encíclica “o princípio do destino universal dos bens, como um direito natural, primordial e prioritário, primeiro princípio de toda a ordem ético-social”.

Sobre este aspeto, é claro ao afirmar que “os bens de um país não devem ser negados a quem provém de outro lugar, uma vez que cada nação é corresponsável pelo desenvolvimento de todas as pessoas que habitam esse determinado país (…) não só proporcionar as necessidades básicas, mas dar todas as condições possíveis para que, cada habitante se possa realizar plenamente como pessoa, dotada de dignidade humana. Sujeito de direitos, como da propriedade privada, e dos respetivos deveres e corresponsável por toda a sociedade envolvente”(nº 124).

A temática da pobreza, sempre tão cara ao Papa Francisco, não podia deixar de estar incluída nesta sua Encíclica de “uma coragem ilimitada”. A este propósito, relembra que os subsídios aos que vivem num estado de pobreza ou miséria devem ser sempre “um remédio provisório, para enfrentar situações de emergências sociais (…) uma vez que, o objetivo é o de conseguir uma vida digna, através do trabalho de cada um”. É que, ensina o papa, “os subsídios devem ser sempre um remédio provisório uma vez que o trabalho é uma dimensão essencial da vida social porque não é só um modo de ganhar o pão, mas também um meio para o crescimento pessoal, para estabelecer relações sadias, expressar-se a si próprio, partilhar dons, sentir-se corresponsável do mundo e, finalmente, viver como povo” (n.º62). O documento coloca ainda em relevo a importância social dos empresários, destacando a sua atividade, na medida em que eles criam oportunidades de trabalho para outros e contribuem para o destino universal dos bens. Por outro lado, não se deixa de criticar a especulação financeira que condiciona o preço dos alimentos, tratados como qualquer mercadoria, provocando deste modo a fome de muitas pessoas, fome que, segundo a Encíclica, é “criminosa”.

Por último, Francisco, o Papa do diálogo e lançador de pontes, não se esqueceu ainda de nos lembrar, nesta sua tão desafiante Encíclica, o valor do diálogo, entre todos os povos, de modo a se criarem condições favoráveis, à construção de uma Global Fraternidade Social.

florentinobeirao@hotmail.com

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