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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

O Leonel na minha vida

04.08.20 | asal

Leonel1 (2).jpg

Há dias em que somos apanhados pelo cajado da vida e ficamos atordoados, numa modorra que nos deixa em esmorecimento completo. Hoje, com a notícia da morte do meu colega e amigo Leonel Cardoso Martins, para aqui fiquei sem gosto e sem ânimo.

Mas tenho de virar a cabeça. Tenho de escrever sobre os anos em comum e tenho de olhar para a frente. Se ainda cá estou, embora com a mesma idade do Leonel, é porque talvez cá faça falta a alguém! Dói tanto ver desaparecer os amigos…

Fui pesquisar neste blogue pela palavra “Leonel”. Sinceramente, fiquei agradavelmente impressionado com a pegada que ele lá deixou. Há pessoas assim: semeiam alegria mesmo à distância! O que vai aparecer entre aspas são alusões ao meu amigo copiadas do blogue.

Caro amigo, saíste da Palhota, em S. Pedro do Esteval, para te preparares para a vida numa altura em que só o seminário te podia proporcionar estudos para além da 4.ª classe. E chegaste longe. Fomos colegas quase até ao fim da Teologia. Iniciaste e concluiste estudos clássicos em Coimbra, aonde eu ainda te acompanhei para ires copiar sumários e apontamentos dos colegas, pois eras aluno voluntário na Universidade enquanto ganhavas o pão de cada dia como professor da Telescola em Santo António das Areias. A vida não era fácil!

Estive na tua casa, apreciando a tua vida em comum com a Lurdinhas e vendo crescer os teus filhos. Depois separámo-nos, quando eu vim para Lisboa. Ainda nos encontrámos uma vez na Caparica quando vinhas fazer férias, mas cada um teve de rumar por caminhos diferentes.

E são os encontros dos antigos alunos do Seminário que nos aproximam de novo. Vimo-nos na Buraca. «Neste Encontro, se não estou em erro, foi o Leonel Cardoso Martins que trouxe vinho da sua produção em Portalegre», diz-se no blogue. E que bom era esse vinho!

A tua presença sempre alegre e o teu saber faziam das nossas conversas momentos de cultura e convivência feliz: «Muita saúde e muitos anos de vida para podermos usufruir ainda da tua boa disposição, meu latinista e helenista inveterado», «Ainda não foi desta que pudemos pegar no latim para nos distrairmos...», «Que raio de conversas estas que nos alegram tanto os dias!...», diz-se no blogue.

Bem me lembro do teu porte elegante, das tuas camisas amarelas com as quais ganhaste o cognome de “canário”, nas cores e na voz. Ainda agora cantavas no coro da Igreja em Portalegre. E diz o blogue: «Imaginem, fui encontrar o Leonel C. Martins, de Portalegre, a ler o Evangelho em grego (!!!) e ainda me disse que qualquer dia vai fazer exame de violino. Gente que não para, nos seus 80 anos... Só não vai à Sertã porque as netas o obrigaram a passar uns dias no norte da Europa, a coincidir com aquela data...».

Leonel e Pequito.jpg

Um dia, escrevi no blogue e queria enviar-lhe o texto. Fui à Parreirinha almoçar com os amigos e, também diz o blogue, «rimo-nos do dito do Leonel, que diz que aprendeu a escrever na pedra. Mas ele próprio evoluiu, pois, para ler o tal texto, pediu-me para lho enviar pelo WhatsApp. E lá tive eu de aprender a usar o WhatsApp para lhe enviar o texto...»

E para não ficar só com palavras, deixo aqui três fotos: na primeira, o Leonel agradece, em Castelo Branco,  a homenagem feita aos nossos professores, a segunda com o Pequito Cravo (no aniversário deste outro grande amigo) e a terceira Leonel + Américo.jpegcom o P. Américo (no encontro do Seminário de Portalegre), onde, como diz o blogue: «o nosso fotógrafo Zé Ventura apanhou estes dois em flagrante delito: o Leonel, com o seu tão característico riso irónico, e o Américo Agostinho, com uma alegria esfusiante, tão própria da sua personalidade.».

É esta cara de criança feliz, alegre, pacífica, que me ficou de ti. Obrigado pelos bons exemplos que me deste. E não te esqueças de nós, que para aqui andamos tontos com esta pandemia e sem saber o que o futuro nos reserva. Até ao nosso próximo encontro, meu caro, porque “VITA … BREVIS”.

António Henriques

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