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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

O GRAAL em Portalegre

15.03.18 | asal

Lembram-se das réplicas destes amigos no Facebook a propósito de um texto sobre Lurdes Pintassilgo, a mulher que muito revolucionou o modo de estar e de olhar para a mulher em Portugal?

 

«Mário Pissarra Não haverá entre os leitores da animus semper quem seja capaz e queira abordar o trabalho do GRAAL em Portalegre?

José Centeio Interessante. Se tivesse tempo e disponibilidade aventurava-me. Não de Portalegre, mas no geral.»

 

HOJE TEMOS A ALEGRIA DE APRESENTARMOS UM TEXTO QUE NOS RESPONDE AO QUESITO.

E FEITO POR QUEM VIVEU A HISTÓRIA: 

 

                                    Teresinha Tavares e Maria Luísa Tavares Bugalho escreveram:

Luisa Bugalho.jpg

Teresinha Tavares.png

 

Em Setembro de 1961, três jovens professoras chegavam a Portalegre para leccionar no Colégio Diocesano e nos outros estabelecimentos de ensino da cidade. Portalegre fora escolhido por conhecermos bem o Senhor D. Agostinho de Moura e apreciarmos a sua abertura em relação ao papel das mulheres na Sociedade e na Igreja.

À  medida que íamos conhecendo Portalegre, iamo-nos dando conta da enorme desigualdade social e da grande pobreza de muita gente que vivia nos bairros periféricos e mesmo no centro da cidade antiga.
Não podíamos viver calmamente com esta situação.  Tínhamos que fazer alguma coisa. Fomos reflectindo com a Maria de Lourdes Pintassilgo e a Teresa Santa Clara que nos visitavam regularmente. No fim do 1.º ano, só uma continuou no Colégio Diocesano e o que ganhávamos nos outros estabelecimentos de ensino dava para vivermos e começar um trabalho de Promoção Humana com as pessoas que iam aderindo.  Uma das primeiras iniciativas foi um Centro Social (num pré -fabricado) em S. Bartolomeu onde havia actividades educativas com crianças e reuniões com adultos à noite.
Este trabalho foi-se desenvolvendo nos bairros mas também em algumas aldeias rurais do distrito de Portalegre, incluindo o concelho de Marvão.  Em 1965, era já um Projecto reconhecido (Projecto de Promoção  Humana e Evangelização) que se tornou num centro de estágio para alunas de Serviço Social, Educadoras de Infância e Agentes Rurais entre outras. Com todas estas jovens profissionais fez-se um trabalho muito significativo que mudou a vida de muita gente.
O facto de ter a referência evangélica era importante, pois o Evangelho é uma força de transformação.  Foi integrado neste projecto que nos meses de verão de 68 e 69 várias universitárias vieram orientar grupos de alfabetização seguindo o método de Paulo Freire. Este trabalho era depois continuado pelas estagiárias e outros voluntários. 
É de notar a acção que se realizou no bairro novo de S. Cristóvão, o do Atalaião.
Após a inauguração deste bairro e a pedido do então Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, professor Silva Mendes, iniciámos um trabalho no bairro (1970).
Foi um trabalho muito interessante que acabou por mexer com toda a população. 
Primeiro foi lançado um inquérito a todos os habitantes visitando todas as casas no sentido de se auscultar quantas crianças estariam em idade de frequentar o Jardim e depois para perceber as necessidades daquela população. 
Através do Jardim de Infância  trabalhou-se com os pais, fizeram-se actividades com os jovens, implementaram-se actividades com as crianças  após o horário escolar  e, ao fim do dia e à noite, organizaram-se aulas para quem não tinha a 4.ª classe e para quem estivesse interessado em fazer o ciclo.
Para tornar possível este projecto, desenvolveu-se um interessante trabalho de voluntariado com alunos dos últimos anos do liceu e também professores que se ofereceram para dar aulas, de acordo com as suas áreas. 
Este trabalho foi de grande importância para os voluntários que o desenvolveram mas também para quem através dele pôde melhorar significativamente a sua vida.
Todo o trabalho neste bairro contou sempre com a colaboração da Confraria de S. Cristóvão e do padre que se ocupava da igreja de S. Cristóvão. 
Foi também por esta altura que se começaram a realizar colónias de férias com as crianças do Jardim Infantil de S. Cristóvão,  S  Bartolomeu e do Bairro de Vila Nova. Para além de alguns funcionários que acompanhavam as crianças,  também nesta deslocação para a praia de Sta Cruz, para uma casa que nos era cedida pela família de uma estagiária do Projecto de Promoção Humana e Evangelização,  também nos acompanhavam e ajudavam a tornar realidade estas colónias,  alguns jovens dos últimos anos do liceu e magistério primário.
 

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