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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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Novamente, as redes sociais

Matinas

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Quando os clérigos e religiosos rezavam as horas, as matinas correspondia à oração da manhã. As informações mais fidedignas disponíveis, garantem que cada vez há menos orantes pela manhã. Hegel dizia que a oração da manhã do homem moderno era a leitura do jornal diário. Perguntar, hoje, o que se lê pela manhã, é ofensivo, pois corresponde a chamar cego ao interlocutor.

Pois foi essa pergunta que fiz a mim próprio esta manhã no café ao olhar à minha volta e depois. fiquei surpreendido pelas conclusões a que ela me levou. Parti da premissa, confirmada pelos dados estatísticos e verificados por qualquer um no seu dia a dia: hoje há menos padres e pregadores.

Abri o facebook e apercebi-me que uma maioria dos que tomam a palavra são verdadeiros pregadores ou curas. Sempre que falam de assuntos de que tenho algum conhecimento verifico que se cumpre o ditado português: «ensinam o Padre-Nosso ao cura. Quer isto dizer que tenho andado a ser enganado. Hoje, há muito mais pregadores e curas no púlpito das redes sociais e todos somos frequentemente reduzidos à condição de leigos nas matérias, mesmo daquelas a que dedicámos algum tempo ou até uma vida a estudar.

Mas os latinos ensinaram-me que todas as comparações são coxas. Os portugueses – que tanto gostam de comparações – mesmo a mancar acrescentaram: «toda a comparação claudica».

Surgiram-me, pois algumas dúvidas:

1.- Que Padre-Nosso me estão a ensinar? Tranquilizei-me ao pensar que as crianças actuais não frequentam esta catequese.

2.- Este Padre-Nosso está ao serviço de quê ou de quem? Voltei a inquietar-me por não saber onde nem por quem são catequizadas as nossas crianças.

Conclusões:

1.- O espaço público antigamente limitava-se aos debates de especialistas de determinadas matérias, isto é, a opinião pública era a opinião publicada de uma elite. O acesso ao espaço público era restrito. O espaço público e a opinião pública têm de ser repensados a partir do seu alargamento a partir da presença de novos intervenientes a opinar nas redes sociais.

2.- Os discursos das redes sociais têm muito de comum com as antigas prédicas e sermões. São discursos condenatórios, moralizantes, intolerantes, exclusivistas e justiceiros.

3.- As fakes-news que sempre existiram, mas eram usadas em determinados contextos e por serviços especializados (informação e contra-informação) democratizaram-se quer na sua construção quer na sua replicação

4.- As redes sociais são hoje povoadas por replicadores (reais ou inventados) de crenças e ideologias.

5.- O anonimato da replicação revela muito dos desejos, crenças e ideologias de quem replica. Mas, frequentemente, o replicador não tem consciência clara do que se esconde e insinua no que replica.

6.- Afinal, nem os pregadores nem os curas diminuíram. Só mudaram de Pai-Nosso e, genericamente, são menos cultos e mais acríticos.

Mário Pissarra

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