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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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Migrações na Europa (4)

Vêm aí novos europeus

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Cada vez mais, vamos tomando consciência de que uma nova Europa se encontra num profundo e complexo processo de transformação, graças à chegada de milhares de migrantes/refugiados que, todos os dias, oriundos de várias partes do mundo, procuram um futuro melhor para as suas martirizadas vidas. O medo, a fome e a guerra têm sido os grandes responsáveis por esta dramática situação. Sobreviver, pondo em risco a sua própria vida, tem sido o desafio para muitos desesperados seres humanos.
Afeganistão, Síria, Turquia, Iraque, Médio-Oriente e alguns países africanos e asiáticos, encontram-se entre as principais regiões do mundo de onde têm vindo estas populações errantes, à procura de uma opulenta Europa. A maioria tem-se deslocado para os países do sul, como Itália, Grécia, Espanha, Malta, França e Alemanha. Aos milhares têm viajado em barcos sem condições, transportando numerosas crianças e grávidas. Muitas das vezes, esta aventura tem terminado no cemitério das sangrentas águas do Mediterrâneo. Quanto aos sobreviventes, ora têm sido acolhidos de braços abertos ora, numa atitude de rejeição. Os números são avassaladores. Nos últimos dois anos, mais de três milhões de refugiados chegaram ao velho continente europeu. A entrada de tão volumoso surto migratório tem trazido para os membros da UE uma mão cheia de problemas a necessitarem de uma solução coordenada dos seus membros, eficaz e duradoura. Se já vai havendo algumas tentativas, os resultados têm sido escassos.
Nos últimos tempos, os países xenófobos mais radicais, como a Hungria, Polónia, Bulgária, Áustria têm optado por trancar as suas portas, colocando barreiras nas suas fronteiras. Outros têm aplicado fortes restrições à sua entrada, como Malta, Alemanha, Itália, Inglaterra. Quanto a Portugal e Espanha têm vindo a adotar uma política ativa de acolhimento solidário. A Alemanha, por sua vez, após gestos acolhedores, nos últimos tempos, pressionada pelo partido da coligação, tem chutado os problemas para a Turquia, em troca de contrapartidas financeiras. Como é notório, a vaga migratória tem posto à prova a tolerância e a identidade cultural de uma Europa frágil e desunida. Na realidade, os problemas migratórios e a saga da identidade têm-se convertido num fator decisivo de definição das diversas forças políticas no espaço da UE.
Simplificando, podemos dizer que tem havido duas atitudes para encarar este bicudo problema. Para os xenófobos, o influxo migratório tornou-se uma fonte de gastos de recursos volumosos para alojamentos, saúde, alimentos e roupas. Acrescenta-se ainda que o emprego destas populações pode retirar trabalho aos residentes, aumentando o desemprego e fomentando políticas de baixos salários. A continuar assim, apregoam os populistas, com uma visão restritiva e pessimista, a Europa poderá caminhar para a sua própria destruição.
 Num polo oposto, os países solidários têm optado por abrir as suas portas, com regras bem definidas, às populações migrantes e refugiadas. Além de ser um gesto humanizador, a realidade europeia tem revelado que a sua população tem vindo a diminuir muito, devido à taxa de natalidade, em acentuado declínio. Por outro lado, acrescenta-se ainda, que para a UE poder manter o seu nível de crescimento económico e produção industrial, necessita de uma injeção de jovens trabalhadores. Até 2.060, segundo a OCDE, vai ser necessário acrescentar à população europeia mais 50 milhões de pessoas. Este aumento será também necessário para se poder pagar as pensões às futuras populações idosas, sempre a crescerem e com uma auspiciosa esperança de vida. Os migrantes, em vez de um fardo, poderão vir a tornar-se, a longo prazo, numa bênção. Deste modo, segundo o missionário Bruno Neto, ao serviço da Caritas Internacional, “receber migrantes de outras culturas é uma oportunidade única para evoluirmos como seres humanos”. E remata “cabe-nos a nós decidir que tipo de humanos queremos ser. “Quanto mais arrogantes formos, menos sentiremos e menos cresceremos como pessoas”.
Por seu lado, António Vitorino, o futuro diretor – geral da Organização Internacional das Migrações, adverte “que os surtos migratórios vão continuar a aumentar e os países vão-se fechar cada vez mais. Ninguém se iluda, não há soluções mágicas. O desafio é contínuo”. Como um país de emigrantes, cabe-nos seguir o caminho da solidariedade e do multiculturalismo. Deste modo, os novos europeus devem ser recebidos mais como uma bênção do que como uma maldição.

florentinobeirao@hotmail.com

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