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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Mais um poema

11.05.19 | asal

pires da costa.jpg

OS  DAS FALAS MANSAS

 

Que dirá uma abelha à flor,

Ao nela poisar com leveza?

Dir-lhe-á que lhe tem amor,

Por ver nela muita beleza?

 

E que dirá a flor à zumbidora,

Quando esta lhe suga o néctar?

-Não sejas mentirosa, aduladora,

Pois o que tu queres é roubar?

 

Vibra na plenitude a Natureza,

Segundo as regras da Criação.

Mas há desvios sem beleza 

Que nos trazem a frustração!

 

Tantos zângãos por aí existem,

Que passam a vida a intrujar!

São descarados, mas insistem,

Atrás de inocentes p’ra roubar.

 

Palavras meigas, falas mansas,

São gananciosos sem pudor,

Só querem encher as panças,

Com a mestria do enganador.

 

Se a abelha faz o doce mel,

Com o que tira à inocente flor,

Humanos há que criam fel,

Onde misturam miséria e dor.

 

As regras da vida se deturpam

Sem respeito, sem consciência,

São agitadores que conspurcam

As causas puras da inocência.

 

Parece um mundo sem vergonha,

Pleno de maldades e podridão.

Civilização falsa, com peçonha,

Onde quem mais rouba não é ladrão…

A. Pires da Costa