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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Informes

30.04.21 | asal

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 Neste tempo de vazio e expectativa, como a Natura tem horror ao vácuo, resolvi respigar, daqui e dali, algumas novidades para distrair o ânimo dos nossos queridos Associados. Ora vamos e corações ao Alto!

 “A obra de Dante é parte integrante da nossa cultura, remete-nos para as raízes cristãs da Europa e do Ocidente, representa o património de ideais e valores que também hoje a Igreja e a sociedade civil propõem como base da convivência humana, na qual podemos e devemos reconhecer-nos todos irmãos” escreve o Papa Francisco na carta Apostólica Condor Lucis Aeternae  ( Esplendor da Luz Eterna) sobre o poeta Italiano Dante Alighieri. ( Florença, 1265- Ravena, 1321).  Habitado por um espírito enciclopédico e humanista que, na Divina Comédia, em pleno se revelou, como autor de uma obra cimeira do cânon literário ocidental (H. Bloom), espelho  da sua própria conversão, sob o signo feminino de Beatriz, e, simultaneamente, alegoria do caminho de redenção de toda a humanidade, o grande poeta florentino merece um pouco de atenção e estudo.

Deste magno assunto me ocuparei, se os meus amigos tiverem a benevolência de me ler! Quando vos incomodar, é só dizer : “ Stop!”

Sigo já para  o artigo do Florentino “ A democracia abriu portas às minorias”, em boa hora hoje publicado no Reconquista, extremamente bem documentado, com números e percentagens sobre a situação das diversas confissões religiosas em Portugal, onde predomina, naturalmente, a religião católica, com os direitos e  prerrogativas  que lhe são devidos. Quem viajou pelos países nórdicos e da Europa de Leste, sabe como isso é normal. E nos povos árabes a situação inverte-se. O importante é que não desistam do diálogo, se respeitem mutuamente e que os Estados tenham o sentido das proporções, não permitindo tratamentos injustos e persecutórios, e deem espaço de liberdade para cada uma exercer a sua atividade de culto,  serviço do ensino  e da caridade. Se trocarem isso pelo radicalismo que exclui o outro e o estigmatiza, implantam o inferno no quotidiano das gentes, como temos visto no Iraque e agora no Norte de Moçambique, onde vive o povo maconde. Em  Maputo, conheci um grupo deles. Altos, inteligentes, artistas, (comprei-lhes um crucifixo em pau preto), alguns jovens não resistiram à radicalização do Daesh, porque o governo central não tem sido propriamente um governo que respeita a regra democrática da alternância de poder.

 O Florentino faz um retrato pouco risonho do estado da Igreja no nosso país. Infelizmente, a situação replica-se um pouco por toda a Europa.  Refere a escassez do clero, uma assistência religiosa deficiente e o preenchimento do vazio por outras confissões religiosas, como qualquer pessoa que viaje pelo interior, pode constatar. É que o coração humano, como diz o poeta Dante, tem sede de Deus, e, se houver alguém que lhe aproxime o cocho de água, vai e bebe. Que o Santo Espírito ilumine a hierarquia e o Povo de Deus para se abrirem novas avenidas de acesso ao Sacerdócio, como se reclama na Alemanha. E não só…

 Neste mesmo número, o Padre Agostinho, qual profeta, denuncia a situação escandalosa do preço da energia em Portugal. Por um lado, vemos o nosso Primeiro Ministro, e bem, a  regozijar-se com a dimensão das energias renováveis, limpas e baratas; por outro, um antigo administrador dá-se ao luxo de se locupletar com milhões, o que se reflete na fatura da eletricidade que tantos têm de pagar, retirando o pão à boca. Acaba, citando  a Fratelli Tutti de Francisco. O nosso amigo é muito claro e frontal, desempenhando o lugar de diretor com o sentido de responsabilidade exemplar.

 Finalmente, uma óptima notícia do Vaticano. As mulheres assumem, cada vez mais, lugares de topo na Igreja. Nuria Calduch, professora  de Sagrada Escritura,  foi nomeada Secretária da Comissão Bíblica Pontifícia. Nathalie Becquart, vice-secretária do Sínodo dos Bispos; mais duas professoras universitárias para o Conselho Pontifício da Cultura. E a irmã  Beate Gilles, especializada em Teologia, foi eleita Secretária-Geral  da Conferência Episcopal da Alemanha. O Espírito está aí, anda por aí e faz acontecer o imprevisível. Tradicionalistas há que lhe resistem,  emperram as inovações… eppure si muove!   

João Lopes