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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Indignação

23.09.20 | asal

Os fogos, a devastação também chegam à poesia. Da minha terra de Sobreira Formosa sai agora o momento poético de nosso amigo, a propósito do recente e maior fogo deste ano, que fez chorar tanto Pinhal esquecido... Uma nova faceta do «José Delgado apenas indignado pela devastação florestal de Cunqueiros e arredores». AHJosé Delgado1.jpg

TERRA QUEIMADA

E o futuro, o silêncio de morte
Que uiva nos montes e vales,
Vestidos de luto,
morreram por lá um pouco da minha alma,
a “ apis melífera” rainha das nossas flores.
Mato maninho, rosmaninho, urze,
perfume de flores de medronheiro.
O inferno que aqui nos atormenta, sem limites.
As lágrimas que não chorei, arrependidas.
Mortalha que cobre a agonia dum povo.
como um lençol fúnebre, que cobre o vazio.
Por lá vivi, tantos dias na serra;
lá, onde os campos vestem carminho;
Veio a lua, em noites frias, beijar meu rosto
E o sol doirar-me o caminho:
Por lá cheira a rosmaninho e a favos de mel,
Perfumada de mato maninho.
Por lá beberam meus lábios,
em fontes de água pura;
Pisei as trevas no espaço;

Fogos6.jpg

cantei cantigas ao Dia;
Senti que, no destino, a luz me envolvia;
Cruzei os montes de lés a lés;

Cruzei-me de nuvens brancas a meus pés.
Em tantos por de sol, ave-marias trinadas,
saudades das nossas terras finadas.
Perdemos a batalha.
lutaremos até à Vitória Final.

José Delgado

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