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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Homenagem

16.05.22 | asal

Em homenagem ao Francisco Cristóvão

Chico Cristóvão.jpeg

  Todos conhecíamos o  Xico Cristóvão pelo seu riso amável e gracioso, gentil e capaz de nos fazer rir  com o seu sentido de humor bem apurado. Um homem que parecia sentir-se bem com a vida e com os outros. Tantos de nós se riram com a sua piada fácil e as acrobacias gestuais que visavam sempre parodiar uma situação ou uma personagem eclesiástica dos tempos áureos de Marvão.

 Agora, que o Senhor o chamou a Si, esperamos que experimente os resplendores do Riso de Deus.

    O texto que segue foi reescrito na peugada do seu exemplo, de alguém que, sem ser histriónico, deixa-nos um legado de alegria, boa disposição, amor à vida e aos outros. Alguém que conheceu a insustentável leveza do Ser e o prazer de estar em companhia, sabendo aligeirar uma conversa séria e pesada com um simples sorriso ou um dito de espírito.

    Nunca cedeu à poluição do espírito e que torna a nossa cara menos sorridente, mais sisuda e concentrada, que nos leva a não cumprimentar os outros e a evitar olhá-los no rosto. A máscara veio acentuar esta tendência para o ensimesmamento e para a indiferença.  É tão fácil dizer: quero lá saber da tua vida, da tua história, se já a minha me basta. Habituámo-nos ao punho fechado e não às mãos abertas. Julgamo-nos superiores por um tiquinho de nada.  

 Um dia, vi o Xico dirigir o coro dos teólogos numa Missa Nova. Que mestria, que sensibilidade musical, que sentido do ritmo! E, no entanto, o Xico Cristóvão, com tantas qualidades, era a simplicidade franciscana em pessoa!

 Fico com a sua imagem na memória e no coração.

        Coimbra, 16 de Maio de 2022  

        João Lopes