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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Estivemos com o João Ribeiro

05.09.19 | asal

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Há muito tempo que tencionava fazer esta visita. Sei muito bem que as pessoas estacionadas em lares precisam de novidade nas suas vidas e não nos pedem muito.

Soube há meses que este amigo de outros tempos, o João Henriques Ribeiro, tinha deixado Castelo Branco, onde vivia desde que apanhou, como tantos outros, o avião dos retornados, deixando a sua Angola querida onde gastou 15 anos de vida, refugiando-se na Ericeira, ali perto da casa da filha, depois de enviuvar da sua querida Lucília. Teve a decisão (e a sorte!) de optar por residir na "Ericeira Domus", um empreendimento da Santa Casa da Misericórdia, que acolhe pessoas seniores em belas instalações e com uma ambiência muito humana, segundo constatámos e o nosso amigo confirma.

Com 84 anos, o João recebeu-nos com muita alegria, a mim e ao Abílio C. Martins. Das 11h da manhã até às quatro da tarde, muitas conversas se passaram, algumas a confirmar o que tínhamos vivido e outras a clarificar situações que no seminário tinham ficado embrulhadas.

Revisitámos os tempos de Angola, onde ele me levou às cataratas de Ruacaná, rio Cunene, sul de Angola, com o Sr. P. Joaquim Reis e cujo trajeto foi todo ele suportado pela generosidade do Sr. Artur Fernandes (de Cardigos), com a carrinha, alimentos e dormidas. O João, em 1961 com o começo da guerra no ultramar, ao saber que ia ser recrutado para a tropa, adiantou-se e foi voluntariamente para Angola. Por acaso, que ele não sabe explicar bem, nunca foi chamado para fazer a guerra e assim passou a vida no ensino em Nova Lisboa, Luanda e Sá da Bandeira. Ele tinha-se licenciado em História na Universidade de Coimbra e ainda lembrou os favores do Doutor Alarcão.

A saída do seminário já em fase adiantada do curso, que mesmo para mim nunca foi bem explicada, foi desta vez bem clarificada. É também bem clara a relação visceral que ele continua a ter com os Carregais - Montes da Senhora, quer na sua contribuição para o Centro de Dia quer ainda na fogosidade com que fala da Portela da Ovelha, onde se fazia uma paragem no transporte dos mortos para o cemitério dos Montes. Ele até encontrou semelhanças na orografia da Ericeira, que todos os dias ele contempla. E vá lá a gente saber o que cada um mais retém na memória para o fim da vida!...

No lar, ele cultiva a amizade com os seus vizinhos e é o assistente n.º 1 do sacerdote que lá vai celebrar missa, sendo ele sempre o ministro da comunhão. Como ainda se encontra em pleno gozo de faculdades, tem um regime livre e sai quando quer. Ontem até o fomos encontrar no "Continente"... Fartou-se de explicar como funciona tudo aquilo, até as cancelas que abrem e fecham para os carros passarem. Falhas de memória também por lá se notam, mas que querem vocês? Traves e argueiros nos olhos, temos de os ver nos outros e em nós.

Mesmo assim, é tão bom viver... O resto está no vídeo que preparei. Obrigado por me lerem! A. H.

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