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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Em busca de ar

20.06.22 | asal

Ontem, deu-nos para sair de casa em busca de ar... Arejar não é bem isso, mas expor ao ar e expor-se ao ar, ventilar, ou mesmo espairecer ou ainda tomar ar são sinónimos que a língua usa para deixar asombrados os amigos ingleses, eles mais pobres em sinónimos...

Pronto, saimos para mudar de hábitos, já cansados de tanta monotonia, insipidez, fastio, tédio ou ainda "invariedade" - para inventar uma nova palavra... Pelo meio, meteu-se ainda em casa um ar vírico, que nos obrigou a ficar retidos durante sete dias!

Derivámos para sul, como fazem as crianças quando se perdem na praia. Parece que o sol (voltado a sul) tem um especial poder de atração sobre os corpos. No nosso caso, o "leitmotiv" (vá lá, escreve português e diz antes "razão", "motivo"!) foi talvez uma foto antiga de que me lembrei - estava sentado no alto de um morro, com um cigarro na mão, a olhar à distância e muito bem acompanhado! Pudera, passaram 45 anos e nunca mais este par de namorados tinha voltado àquele morro, sobranceiro a Setúbal, de que se desfrutam vistas sem fim...  

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Sim, é a Fortaleza de S. Filipe, que procurámos ao entrar na cidade pela estrada antiga e com os letreiros a encaminhar-nos até quase ao final da Avenida Luísa Todi, iniciando aí uma subida fácil até lá em cima, onde fomos encontrar um bom parque de estacionamento (sem vigilante, por isso não deixe valores à vista!...). Nesse parque vi um cedro (pode ser que o Alcino fique satisfeito com este!), mas o importante começava agora. Como namorados, subimos aquela longa escadaria, caminhada feita sem esforço e com tempo para foto. E logo aí, a primeira grande surpresa - uma capela toda emoldurada de azulejos do séc. XVIII. Chegámos então ao topo, construções militares que só vimos de relance, pois o mais importante era regalar os olhos com as lonjuras que se estendem em todos os sentidos. Realmente, isto é mesmo para parar... O encanto da tarde, o sol com nuvens a criar um quadro de pintor naturalista, até o casario de Setúbal ganha cor. Mas são as distâncias que mais me prendem, aquele espraiar do rio Sado sem fim ou os verdes perturbantes da península de Tróia, desde o início (antes era a Torralta!) até à Comporta e ainda depois aquela língua de areia curva a bordejar o mar sereno.

Ó Zé, não consegui lobrigar a tua casa, escondida pelo arvoredo. E, na cidade, também não vi as casas do João ou do Antunes Dias, que cada vez sinto mais longe, pois a idade não perdoa. Mas as zonas de pesca, os contentores sem fim ou, lá longe, a Setenave sugerem uma atividade dinâmica muito voltada para o mar.

O bar serviu às maravilhas para, sentados, degustarmos o lanche. Que mais eu quero para sentir que esta tarde foi mesmo especial?!  O resto que o digam as fotos...

António Henriques

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