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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Eleições Presidenciais 2021

09.01.21 | asal
Meu caro Henriques
Apesar do período ultra friorento que nos envolve, envio uma colaboração repleta de um quente carinho para todos os que nos vão seguindo e acompanhando regularmente, com alguma assiduidade, no nosso querido e indispensável ANIMUS. Um site sempre em Festa, a alegrarmo-nos com os que fazem em cada dia a sua festa de aniversário, um hino à Vida de cada um dos nossos sempre recordados e amados amigos.
Um trabalho inestimável e louvável do nosso companheiro de jornada A. Henriques a quem nunca agradeceremos, como merece. O meu profundo Bem Haja. A todos Paz e Saúde. E vamos às presidenciais, o tema que partilho.
Florentino

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R. - No último mês, tivemos 5.729 Visualizações, uma Média diária de 185 visualizações. AH
 

Uma campanha morna

Com as festividades do Natal e Ano Novo, a campanha de vacinação do Covid-19, o acordo pós- brexit e a presidência da UE pelo nosso país, tem passado para segundo plano a corrida às eleições presidenciais de 2021, marcadas para o dia 24 de janeiro.

Com início em 10 de janeiro, já se perfilam os diversos candidatos que se propõem disputar estas eleições: o recandidato Marcelo, João Ferreira do PCP, Marisa Matias do BE, André Ventura do Chega, Ana Gomes, militante socialista, Tiago Mayan-Gonçalves da Iniciativa Liberal e Vitorino Silva. Segundo as sondagens, a reeleição do atual Presidente, com cerca de 68% das intenções de votos, é um dado adquirido. A ele se deve o mérito de bem ter sabido exercer este cargo, não criando dificuldades ao Governo de António Costa. Soube, ao longo do seu mandato, criar uma imagem de político popular e abrangente, somando votos à direita e à esquerda. O seu principal adversário será a elevada abstenção que se adivinha. Com um PS sem candidato, um PSD e um CDS a apostar em Marcelo, a sua vitória está-lhe mais que garantida. Deste modo, não admira que a próxima eleição presidencial que ocorre em tempos difíceis a nível político, social e económico, se prefigure como uma corrida eleitoral morna, sem propaganda nas ruas, apenas com debates televisivos. Devido a estas limitações, já alguém a classificou como sendo uma campanha supérflua. Porém, em democracia, todas as eleições devem ser um ato nobre de cidadania, onde os diversos valores e visões da vida de uma comunidade se jogam, marcando cada candidato a sua posição política, face aos desafios com que o país se defronta.

Numa perspetiva histórica de longo prazo, façamos um balanço sintético, relembrando a caminhada das eleições dos Presidentes da República em Portugal.

Quem tiver nascido após a Revolução de abril de 1974, com a implantação da democracia em Portugal, poderá desconhecer as diversas formas como o Chefe do Estado tem sido eleito, desde o derrube da Monarquia. Lembramos apenas a escolha do Chefe do Estado, até à conquista da democracia.

Começamos pela primeira eleição presidencial na 1.ª República em 1911, que nada teve a ver com a forma como agora o Presidente é eleito por todos os cidadãos eleitores. Na altura, coube apenas aos deputados e senadores, reunidos em sessão conjunta no Congresso, o poder de escolher o 1.º Presidente da República, com poderes limitados. Portanto não havia qualquer campanha eleitoral com visibilidade pública. Só a imprensa dava conhecimento da sua nomeação. A opção para a eleição indireta do Presidente da República constituía assim uma salvaguarda contra os receios do presidencialismo e da concentração de poderes num só órgão do Estado.

Deste modo, foi eleito o 1.º Presidente da República, embora provisório, Teófilo Braga (1910-1911). Seguiu-se Manuel de Arriaga (1911.1915) que apresentou a sua demissão a três meses de terminar o seu mandato. De novo, foi eleito pelo Congresso Teófilo Braga, já com 72 anos, em 29.05.1915. Do mesmo modo, o Presidente Bernardino Machado, em 16.08.1915. O seu mandato coincidiu com a entrada de Portugal na 1ª Grande-Guerra, onde se deslocou para apoiar os militares portugueses, e com as visões de Fátima em maio de 1917.

Entretanto, Sidónio Pais através de um golpe militar em 05.12.1917, depôs Bernardino Machado, fazendo-se eleger, pela primeira vez, em eleições por sufrágio direto. Com o seu assassinato em 1918, voltou-se novamente a eleições indiretas, como no início da República. Após a morte violenta de Sidónio Pais na estação do Rossio, tomou posse Canto e Castro (1918-1919), eleito novamente pelo Congresso.

De 1919 a 1923, foi Presidente da República A. José de Almeida. De 1923 a 1925 seguiu-se Teixeira Gomes e Bernardino Machado (1925-1926), sendo este deposto por uma revolução militar, a partir de Braga, em 28.05.1926. Esta revolução vencedora, instaurou no país um curto período de ditadura militar que escolheu para Presidente da República José Mendes Cabeçadas em 1926, substituído por Gomes da Costa no mesmo ano.

Finalmente, foi escolhido o general Óscar Carmona, que ocupou este lugar durante o Estado Novo, com Salazar na chefia do Governo (1926-1951). A ele, seguiram Craveiro Lopes (1951-1958) e Américo Tomás (1958-1974), eleitos em ditadura, com resultados viciados. Seria só a partir da Revolução de Abril que o Presidente da República começou a ser eleito em eleições livres e democráticas. Feliz Novo Ano.

florentinobeirao@hotmail.com