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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Eleições na União Europeia (4)

19.05.19 | asal
Meu caro Henriques, apesar de saber que a prioridade deve ser dada ao nosso inesquecível Encontro da Sertã, não deixo de te enviar este artigo. Na altura que julgares oportuna, saberás quando o dar à luz.
Para completar as reflexões que venho fazendo sobre a nossa União Europeia, venho hoje, para encerrar, apelar também ao voto. Sei que muitos já desistiram destas eleições. Para ser sincero, até compreendo o desânimo. Porém, quanto a mim, não podemos desistir. Os inimigos encontram-se às suas porta quais, cavalos de Troia.
Quanto à Sertã?  Cinco estrelas. Todos os segundos foram enriquecedores. Todos os Amigos, souberam a pouco.
Cordialmente

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F. Beirão
 

 

O futuro nas tuas mãos

 

Tudo se encontra programado para elegermos os nossos 22 eurodeputados, no dia 26 de maio, os quais nos irão representar no Parlamento Europeu (PE) em Bruxelas, integrados nos 751 membros eleitos, de 5 em 5 anos. Com os nossos candidatos a palmilharem quilómetros e horas de TV, debitando calorosas arengas e devorando lautas refeições, temos tido um longo período de louco corrupio. Com enormes cartazes de propaganda afixados e com avultados orçamentos para a campanha, a caça ao voto tem sido ferrenha. Os candidatos, por sua vez, envolvidos neste ambiente frenético, já vão sonhando e sorrindo a pensar na sua volumosa e apetecível remuneração, 20 mil por mês, quando se sentarem nas suas poltronas.

Esta é a perceção de uma boa fatia da população, deixando-se transparecer a ideia, porventura exagerada, de um lugar muito apetecível e cobiçado. Com um trabalho quase invisível, sem grande ligação aos eleitores, foi-se criando a ideia de que pouco ou nada resulta da sua presença em Bruxelas, em benefício da vida real dos cidadãos, sobretudo dos mais desfavorecidos. Talvez por esta imagem criada ao longo dos anos, foi-se avolumando um acentuado um grande alheamento, face a estas ambíguas eleições. Os números não nos mentem. Mais de metade dos eleitores têm ficado em suas casas. Este comportamento abstencionista, certamente, muito terá a ver com a falta de ligação entre os eurodeputados e os seus eleitores. Esta relação tem-se mostrado de tal modo omissa ou fugidia, que a maior parte dos cidadãos nem sequer conhece o nome e o número de parlamentares que os representam no (PE). A sua presença em público foi-se tornando de tal modo meteórica que mal se tem dado por ela.

Deste modo, não nos podemos admirar que os eleitores venham virando as costas a estas eleições. Face a esta atitude comportamental, o espaço político foi ficando aberto às correntes ideológicas ligadas aos populistas e eurocéticos, a tentarem minar o primitivo projeto europeu de paz e prosperidade, humanista e solidário, aberto ao multiculturalismo.

Como sabemos, a União Europeia (UE) vive hoje um momento de uma grande encruzilhada, enfrentando numerosos e complexos desafios, muitos deles, fruto da última crise financeira e da globalização. Dentro e fora das suas fronteiras, os problemas não deixam de se avolumar. Por esta razão, os seus membros enfrentam hoje fortes ameaças, oriundas sobretudo da união dos eurocéticos, populistas e xenófobos, concentrados nas extremas- direitas e extremas- esquerdas. É dentro deste complexo contexto político que urge tomar consciência de que estas eleições podem ser determinantes para o futuro da própria existência da (EU), como hoje a conhecemos. Como sabemos, este ato eleitoral encerra em si um dilema, ao serem simultaneamente europeias e nacionais. Daqui pode resultar de que sejam consideradas de segunda ordem. Porventura, mais para avaliarem cada um dos governos dos países membros, do que um mecanismo de escolha dos representantes dos 400 milhões de possíveis eleitores. Daqui tem resultado a ambiguidade de alguns verem nestas eleições, não uma oportunidade de influenciar as políticas da UE, mas algum desinteresse por serem de caracter supranacional.

Nesta ambiguidade, as eleições para o PE têm sido um terreno fértil para o crescimento, dia após dia, de algumas forças políticas, vincadamente nacionalistas, em quase todos os países membros. Esta alarmante situação, segundo Braga da Cruz, “faz com que a UE se encontre numa permanente tensão entre a legitimidade democrática, fruto das eleições, e a eficácia dos seus processos de decisão”. Os casos paradigmáticos da emigração e do acolhimento dos refugiados, como vem acontecendo, geraram problemas tão complexos que têm mexido com os mais radicais e identitários valores da (UE). Os casos mais recentes do “Brexit” na GB e de Salvini na Itália e outros, aí estão, para demonstrarem de como a disputa pelo poder entre a (EU) e os estados- membros, se tornou tão complexa para a governabilidade dos 500 milhões de cidadãos europeus.

Assoberbada com tão graves problemas, a UE exige de todos os democratas europeístas, que votem e não fiquem em sua casa, no dia das próximas eleições para o (PE). O Futuro da Europa está nas mãos de cada um de nós. Não permitamos que os valores fundacionais da União Europeia sejam desvirtuados, nestas tão decisivas eleições.

florentinobeirao@hotmail.com