De visita a Aveiro
Neste fim de semana, que incluia o dia dos namorados, fiz a surpresa à esposa de reservar hotel em Aveiro para uns dias de turismo calmo, repousante e ao mesmo tempo cheio de beleza.
E lá fomos nós dois de comboio, à procura daquela terra que há muito não nos deleitava os olhos. E, agora que tudo passou e voltámos a casa, posso dizer que valeu a pena. Não faltou o descanso - aquele "dolce far niente"- e sobretudo pudemos encher os olhos da beleza que nos inunda a alma porque fomos educados para ela. E é dela que vou falar. Aos bocadinhos, para não cansar! E de acordo com a disponibilidade de tempo que eu tiver.

Primeiro passo - o encontro com o Fernando Leitão. Eu sabia que Esgueira ficava ali perto e lá morava a Emília e o Fernando, que há tempos encontrámos nas termas (é assim esta 3.ª idade!). E que também nos habituámos a ver e abraçar nos encontros anuais dos antigos alunos. E sabia que a Emília estava a passar um mau bocado depois da operação às cataratas, sendo o Fernando um cuidadoso enfermeiro de quase todas as horas. Assim, foi com alegria que, mesmo com estas limitações, pudemos estar com o Leitão Miranda, que nos levou a almoçar na Tia Micas e, de carro, nos mostrou os lugares mais afastados, a universidade, o seminário - hoje centro de formação na fé, e nos levou ainda aos arredores da cidade - uma cidade nova construída em terrenos baldios e agrícolas, hoje com bairros modernos e fábrica de cerâmica transformada em centro cultural. 
E conversámos de quê? Das nossas experiências comuns, da luta que travámos para progredir na vida, a começar pelos nossos pais, que se sacrificaram para nos enviar para o seminário; e depois, quando quisemos passar de efetivos a provisórios outra vez (assim me dizia o Dr. Marcelino quando resolvi deixar Portalegre à procura de outra felicidade...), o que não foi fácil. Histórias engraçadas, entrançadas com amigos que nos facilitaram o caminho, sem nos tirarem todos os espinhos... Que os estudos eram muitos e conseguir um diploma superior exigia esforço! 
Mas hoje, como pessoas da quarta idade, sentimos um bem estar, um alegria especial pela nossa história e pela família que temos, o que nos leva a dizer que "nos sentimos muito agradecidos", esse sentimento de gratidão que, na simplicidade e humildade do dia-a-dia, nos faz felizes.
Obrigado, Fernando! E rápida recuperação para a tua Emília. Havemos de nos ver em Alcains no dia 16 de Maio, onde outros nos esperam, como o Valentim Pires da Costa, o Manuel Pereira, o Júlio, o Amável André, etc....
Segundo passo - visita à Sé, onde parece que queríamos ver o Sr. P. Marcelino, depois Dr. Marcelino e depois bispo de Aveiro. Ele não apareceu, mas esteve sempre no meu espírito, enquanto lembrava episódios dos tempos de Portalegre que marcaram a minha formação.

Os espaços exteriores são largos, bem arranjados e solenes, com aquele célebre cruzeiro e aquela colunata a reservar o ambiente. Dentro, para além do cruzeiro original (lá fora está uma réplica), encontramos uma igreja de uma só nave, com várias capelas laterais a alongar o espaço, muito estilo barroco com vários retábulos em talha dourada e, ao lado direito da capela-mor, um moderno órgão metalizado que destoa e fere o olhar, perdoem a expressão.
Nos largos espaços exteriores, no meio do trânsito, ainda pudemos admirar uma gigantesca e moderna imagem de S.ta Joana Princesa, padroeira de Aveiro, em frente ao Museu de que falarei em breve.
Estas as primeiras impressões desta Aveiro modernizada, turística, aprazível ao turista.
AH









