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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

De Penha Garcia

17.10.20 | asal

ÁRVORES MORIBUNDAS EM TERRAS QUIETAS

A angústia de olhar estas terras está bem expressa na boca dos seus proprietários e também de herdeiros que nãoárvore seca.jpg encontram saídas para estes campos áridos.
É um facto e Penha Garcia não foge à regra, ver estes terrenos de outrora que fervilhavam de vida, hoje desertos, com arraiais abandonados, entregues às intempéries do tempo e transformados em amontoados de pedras, tomados pelos silvados e mato, são a imagem da desolação.
Esta visão toca-nos, mas não se descortinam soluções para esta realidade. Fixar gente nesta região é uma utopia, os que lá nasceram e viveram fugiram para não passarem privações e fome.
A paisagem, que em tempos era uma policromia de cores em cada estação, transformou-se num verde pardacento e triste de mato e eucaliptais que cobrem o horizonte. Estes “jardins” de eucaliptos, que ocuparam terras de searas, sugam agora até ao “tutano” as entranhas do solo que ficará estéril por muitas décadas.
Estes terrenos, quietos há muitos anos, já não alimentam árvores que se retorcem para sobreviver e aguardam da mãe natureza a humidade que não chega na hora certa.
Já lá vão as frescas pastagens encharcadas de orvalho de outras épocas ou fustigadas por aguaceiros tocados a vento, permanecendo agora sob o calor de um clima agreste e implacável da região.
Muita memória e pouca gente é uma realidade dura e presente nos dias de hoje. Será talvez uma factura do trabalho de vidas inteiras, que os nossos antepassados, já cansados de tanta labuta, foram abandonando sem glória!
As terras de cultivo, quem as tem, deixa-as ao abandono, não há motivação para qualquer investimento ou manutenção e o mato cresce, cresce e segue o seu percurso natural.
Interrogamo-nos e deixamos no ar o desejo de soluções!
São realidades difíceis de resolver e em cada ano que passa o deserto progride, ninguém se fixará por aqui, sem apoios logísticos, melhores vias de acesso, energia eléctrica, maquinaria e água fundamental para tudo.

João Antunes.jpg

Julgo que no futuro as explorações agrícolas terão de ser colectivas, formadas com meios humanos e materiais e tudo o que é necessário, à semelhança dos Kibutzim Israelitas, que desenvolveram actividades comunitárias com base nas propriedades agrícolas. Entre nós, levaria muito tempo a implantar uma unidade desta natureza, dado que as populações teriam dificuldades em se associar para este fim.

Assim, vamos assistindo às alterações climáticas que se vão manifestando em cada ano que passa e aguardamos serenamente por mentes iluminadas que encontrem soluções que minimizem este drama.
Porque a desertificação avança.

João Antunes
2020.10.17

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