Das férias para o blogue
09.08.21 | asal
Caro António - Saúde e Paz

Lembranças de férias, em tempos idos, lá para as bandas de Porto Covo, praia do Malhão, ilha do Pessegueiro e o sortilégio desses lugares - antigos, históricos, poéticos.
Ah! a Ilha, as praias ( o Malhão) o grande Mar-Oceano, o longo litoral habitado desde tempos remotos - motivos de inspiração para o Poeta/Cantor do grande amor pela menina/donzela ( a laranja e a falésia ) na melodiosa voz do Chico Fininho.
Também os sinais da História e as lendas que relevam da evocação dos lugares - "assentamento" romano na Ilha, forte de artilharia de costa e "sítios" arqueológicos de eras muito distantes; estes descobertos parcialmente por entre matagais e clareiras dunares com esparsos pinheiros marítimos, como sentinelas solitárias.
Palavras de introdução a um singelo poema inspirado num desses "sítios", junto à estrada litorânea de Sines a Porto Covo, denunciado apenas por um "aramado" protector contra vandalismos.
.
EVOCAÇÃO-ELEGIA
Era o tempo da Pedra Lascada
quando da tua cansada mão,
pesada com a fadiga,
caiu a derradeira pedra afiada.
Nas praias do Grande Mar, onde o Sol se afoga,
não mais apanharás conchas para abrir e comer.
Na negra floresta, berço do Sol nascente,
não mais caçarás animais para cortar com as tuas afiadas pedras.
Apagaram-se os clarões das fogueiras, espelhados nos teus olhos,
O calor da fogueira sumiu-se das palmas das tuas mãos.
Já não haverá mais água da chuva sulcando o teu rosto
e no espaço envolvente só o vento
sopra sofrido o seu lamento.
..............................................................................................................
Anda pairando o teu Espírito
sobre os lugares ainda habitados pelas tuas Pedras
e sobre as covas esvaziadas dos teus errantes ossos.
..................................................................................................................
Descansa, meu Irmão, Homem do Paleolítico,
na minha memória do teu Tempo,
recriando o espanto do teu olhar
perante o Sol, a Lua, as Estrelas e o Grande Mar.
Descansa na memória dos teus descendentes,
transitários,
concorrentes,
temerários
nesta longa viagem pelos tempos de outras pedras
.... sempre as pedras/lascadas/fendidas/errantes/doloridas,
pelos quatro cantos/desencantos
desta tua Terra
e nossa Guerra.
J.Alves Caldeira ( Junho de 1990)
NOTA: Que bom haver gente a lembrar-se de partilhar no ANIMUS SEMPER as impressões de viagem ou de férias. Obrigado, José Caldeira! Quem será o próximo? Eu já tenho material para fazer crónica, mas agora a família tira-me o tempo.
E até ao fim de semana ninguém me vê por aqui. Vou falar espanhol e inglês por uns dias. AH