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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Colaço + Gil

07.06.19 | asal

Actualização

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O Gil enviou estas palavras que agradeço. Desde logo, a chave para a compreensão do poema inscrito na garrafa com que me presenteou.
Obrigado amigo.

Colaço

 

Agora, o Gil:

Boa noite, amigo!
Conforme acordado há pouco, envio o texto que está gravado na pedra no alpendre da nossa adega do Cano Mocho e que serviu para os rótulos das nossas garrafas. Para melhor esclarecimento esclareço os nomes dos associados encriptados no poema: 
Don Nesto -- Ernesto, advogado e neto do "Martins d'Évora"
Vasil -- Mário Silva, chefe de finanças na Sertã
Said -- Dias, eu próprio
Olhaif -- Fialho, um ex-empresário local

Tomo ainda a liberdade de te enviar um poema que fiz para uma aula do Secundário pelo Vinte e Cinco de Abril.
Sou pouco expansivo, mas acompanho-te com admiração e amizade. 
Gil


INSCRIPTA MEMORIA
NESTA BAGINA BEM EXPOSTA E QUENTE
DO MONTE QUE DO SANTO O NOME GUARDA,
DETIVERAM SEUS PASSOS AO POENTE
OS QUATRO CAVALEIROS, DE JORNADA:

DOM NESTO ERGUE NELA SEU PADRÃO,
VASIL DAS CUMEADAS TRAZ CIÊNCIA,
SAÏD DAS ARÁBIAS ALVIÃO,
OLHAÏF TRAZ DOS MONTES PACIÊNCIA.

DESATERRAM, CONCAVAM E ALINHAM,
SUPORTAM, PLANTAM, AGUAM, RECOLHEM;
SALTAM, CAMINHAM, TRAMBOLAM, GATINHAM,
LUTAM, CONCORDAM, PROJECTAM, CONSTROEM;

CANO MOCHO LHE CHAMAM,QUE JÁ TINHAM…
PASSOS QUE REGALAM PORQUE NOS MOEM!...
Gil 19.11.07

...............

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GESTAÇÕES DE ABRIL

Bombas cravadas no coração dos Balcãs...
Abril de espinhos,
Abril de escravos;
Vidas destroçadas nas bermas dos caminhos...
Tiranos eslavos fazem leituras vãs,
Ignoraram a lição
De uma Revolução de flamas
E de cravos floridos
Nas fendas dos “tapa-chamas”:
Em tempos ainda não escurecidos,
Houve tiranos apeados
Por capitães arvorados
Em libertadores sentidos
Vinte e cinco anos de gozos e dores...
Vinte e cinco de Abril
De cantigas e flores...

Colaço.jpg

Alguns feitos amos,
A outros feitos danos...
Rasgámos fronteiras
Pusemos o país “com dono”
E temos campos ao abandono!...
Mas ainda erguemos bandeiras,
Ainda corre uma aragem,
Ainda há gente sem sono
Que vai passando a mensagem:
Desfez-se a ditadura
E cumpriu-se a liberdade;
Ainda é a mesma, a saudade;
Falta cumprir-se a cultura!
Mas se vivem de recordações
Nossos pais, nossos avós;
Cantamos nós suas canções,
Quem vibra já somos nós!
Abril sobrevive às gerações!..
( Gil -- Abril de 1999)