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Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Cisma ou diálogo?

13.09.19 | asal

Papa Francisco: “Não tenho medo de um cisma, mas rezo para que não exista”

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Copiado de 7M

O Papa admitiu, no regresso da sua quarta viagem a África, que há o risco de um cisma na Igreja Católica, mesmo se ele não o deseja: “Há sempre a opção cismática na Igreja, sempre, é uma das opções que o Senhor deixa à liberdade humana” afirmou aos jornalistas, durante a habitual conferência de imprensa a bordo do avião.

Lamentando o comportamento de algumas pessoas que “apunhalam pelas costas”, acrescentou: “Eu não tenho medo de cismas, [mas] rezo para que não exista, porque está em jogo a saúde espiritual de tantas pessoas”.

Durante a viagem de regresso ao Vaticano, após a visita a Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurícias, já em pleno oceano Índico, o Papa respondeu ainda acerca das críticas de grupos dos Estados Unidos ao seu pontificado.

“As coisas que digo em relação a problemas sociais são as mesmas que o Papa João Paulo II disse”, sublinhou. “São as mesmas. Eu copiei-o”, afirmou.

Admitindo que haja quem o catalogue como um Papa “demasiado comunista”, disse que isso significa que a “ideologia se está a infiltrar na doutrina”. E quando “a doutrina desliza para a ideologia, existe a possibilidade de um cisma”, afirmou, citado ainda pela Ecclesia.

O Papa acrescentou que há hipocrisia da parte de alguns conservadores norte-americanos que o criticam. Apesar de apreciar quem lhe faz críticas com uma atitude construtiva, já não aprecia quem o faz sem intenção de dialogar.

“Se a sua crítica não está correta, tem de estar preparado para receber uma resposta e depois dialogar, ter uma discussão, chegar a um ponto de entendimento”, explicou Francisco. “Esta é a dinâmica da verdadeira crítica”, disse, citado pelo National Catholic Reporter.

O papa sublinhou ainda que as críticas ao seu pontificado não se limitam a setores católicos norte-americanos, mas “existem um pouco por toda a parte, mesmo na Cúria” Romana.

“Fazer uma crítica sem querer ouvir a resposta e sem fazer diálogo é não amar a Igreja, é seguir atrás de uma ideia fixa, mudar o Papa ou criar um cisma”, avisou, falando em grupos que se separam do povo e “da fé do povo de Deus”.

Recordando a passagem por Moçambique, Francisco assinalou que a paz naquele país lusófono africano “ainda é frágil”, assumindo que fará “todos os possíveis” para que este processo avance.

Questionado sobre o facto de ter visitado um país em campanha eleitoral, o Papa declarou que essa “foi uma opção decidida livremente, porque a campanha eleitoral começa nestes dias e ficava em segundo plano” em relação ao processo de paz. “O importante era ajudar a consolidar esse processo.”

Já nesta quarta-feira, na audiência-geral na Praça de São Pedro, o Papa resumiu também o sentido da sua viagem aos três países do Índico: “A Moçambique, fui espalhar sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que já sofreu tanto por causa dum longo conflito armado e, na primavera passada, foi atingida por dois ciclones devastadores”, afirmou. “Procurei encorajar os líderes do país a trabalhar juntos pelo bem comum e convidei os jovens a vencer a resignação e a ansiedade, difundindo a amizade social e conservando as tradições dos mais velhos.”

Nos outros dois países visitados, Madagáscar e Ilhas Maurícias, Francisco quis corroborar o “conhecido espírito de solidariedade” dos dois povos, no sentido de os ajudar “a harmonizar as diferenças num projeto comum e construir, juntos, o futuro nacional conjugando o respeito pelo meio ambiente com a justiça social”.

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