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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

As rubras cerejas

02.01.20 | asal

José Maria Lopes1.JPG

Mais uma pérola para a nossa história!

 

Para começar este relato, devo confessar que, desde que me conheço, sempre admirei muito as árvores e ainda hoje tenho essa inclinação. Daí que, pouco depois de ter dado entrada no Seminário de Alcains, já sabia o nome de todas as árvores que existiam no seu perímetro. E se bem se lembram, nos lados do caminho que ia do Seminário até à porta do lado Norte (digamos ser a porta de serviço porque a principal era o portão grande voltado ao Sul) existiam umas cinco cerejeiras de porte médio, e em Maio lá apareciam as cerejas de cor magenta, apetitosas.

Nós, como sabem, era raro comermos fruta e aquelas cerejas davam volta à minha imaginação.
Um dia, na hora da Missa da manhã, eu saí da Capela, não para ir à casa-de-banho, mas para ir sorrateiramente comer umas cerejas. Estas nossas saídas da Capela não causavam estranheza porque não era preciso pedir licença a ninguém para irmos à casa-de-banho.
Lembram-se, talvez, que Monsenhor Moura, não sei se todos os dias, mas ia pelo menos algumas vezes dizer Missa à Igreja Paroquial de Alcains. E num desses dias eu esperei que ele saísse pela porta acima referida e ataquei a cerejeira de imediato. Mas nunca soube porquê, Monsenhor Moura talvez por se ter esquecido de qualquer coisa, passados uns minutos voltou ao Seminário e eu em cima da cerejeira ao ver a porta a abrir-se.
A árvore de certo modo ramalhuda lá me consegui disfarçar, quietinho que nem um rato. Ele passou com os olhos no chão, não me viu, mas eu apanhei um susto que ainda hoje nem me quero lembrar.
 
José Maria Lopes